← Inteligência em commodities

Óleo de soja cai 2,68% e limita suporte à soja no Brasil

O óleo de soja caiu 2,68%, pressionado pelo recuo do petróleo, enquanto a soja perdeu 0,97%. Milho e farelo avançaram de forma moderada. No Brasil, a queda de 0,66% do dólar limitou a conversão dos preços externos para reais.

Soja · BaixaMilho · NeutroFarelo · NeutroÓleo · BaixaTrigo · Baixa
Driver principal

Queda de 2,68% do óleo de soja, reforçada pelo recuo do petróleo no fim da sessão

Óleo de soja cai 2,68% e limita suporte à soja no Brasil

Resumo executivo

O principal movimento desta quarta-feira foi a queda de 2,68% do óleo de soja, que fechou a 63,53 centavos de dólar por libra-peso no contrato de dezembro. O recuo do petróleo no fim da sessão reforçou a pressão sobre o derivado, segundo a Pro Farmer, e ajudou a manter a soja em terreno negativo.

A soja caiu 0,97%, enquanto o farelo avançou apenas 0,19%. O milho teve recuperação moderada de 0,40%, apoiado por compras após as perdas recentes e por novas vendas externas dos Estados Unidos. O trigo recuou 0,21%, ainda influenciado pela ampla oferta internacional e pela expectativa de novas negociações envolvendo Rússia e Ucrânia.

Para o mercado brasileiro, o câmbio acrescentou pressão. O dólar comercial caiu 0,66%, para R$ 5,4502, reduzindo o valor em reais dos preços negociados em Chicago. A combinação foi mais desfavorável para soja e derivados, enquanto o milho encontrou algum apoio na alta externa.

Soja

A soja fechou a 1.202,25 centavos de dólar por bushel no contrato de janeiro de 2027, queda de 0,97% em relação à sessão anterior. Foi mais um dia de perda, com o mercado acompanhando o avanço da colheita norte-americana e a perspectiva de oferta elevada nas Américas.

O USDA, departamento de agricultura dos Estados Unidos, informou que 88% da soja norte-americana estava colhida até 1º de novembro, quatro pontos percentuais acima da média dos cinco anos anteriores. Esse avanço aumenta a disponibilidade física do grão e reduz parte do risco que costuma sustentar os preços durante a colheita.

A demanda externa ofereceu algum contraponto. Foram reportadas vendas de 134 mil toneladas de soja norte-americana para destinos não identificados. O volume, porém, não foi suficiente para mudar a direção da sessão, especialmente diante da fraqueza dos derivados e da concorrência brasileira.

No Brasil, o plantio da safra 2026/27 chegou a 53% da área projetada até 29 de outubro, ante 40% uma semana antes e 47% no mesmo período do ano passado, segundo a AgRural. A melhora das chuvas em Mato Grosso permitiu acelerar os trabalhos e reduziu preocupações imediatas com replantio.

Milho

O milho fechou a 444,25 centavos de dólar por bushel no contrato de dezembro de 2026, alta de 0,40%. O ganho interrompeu a sequência recente de pressão, mas ainda representou uma recuperação limitada diante do quadro confortável de oferta nos Estados Unidos.

O mercado recebeu suporte de novas vendas externas. Exportadores norte-americanos reportaram negócios de 315 mil toneladas com o México e 136 mil toneladas com a Coreia do Sul. As operações confirmaram a presença de compradores em níveis mais baixos de preço.

Do lado da oferta, 74% do milho dos Estados Unidos estava colhido até 1º de novembro, de acordo com o USDA. O ritmo permanecia três pontos abaixo da média de cinco anos, mas avançou 14 pontos percentuais em apenas uma semana. A chegada do grão ao mercado continua limitando altas mais consistentes.

Para o Brasil, a valorização em Chicago foi positiva, mas a queda do dólar reduziu parte desse efeito. A leitura permanece equilibrada: há sustentação da demanda internacional, mas a disponibilidade norte-americana e a competitividade brasileira mantêm forte disputa entre origens exportadoras.

Farelo de soja

O farelo de soja fechou a US$ 318,60 por tonelada curta no contrato de dezembro de 2026, alta de 0,19%. O movimento foi discreto, mas mostrou desempenho melhor que o da soja em grão e, principalmente, que o do óleo.

A diferença entre os dois derivados indicou preferência relativa pelo farelo durante a sessão. A alta, contudo, foi pequena e não representou uma mudança clara de tendência. A colheita avançada nos Estados Unidos favorece a oferta de matéria-prima para as indústrias, enquanto o mercado acompanha o ritmo de consumo das fábricas de ração e as exportações.

No Brasil, a valorização externa encontrou a resistência de um dólar mais baixo. Isso limita o repasse da alta para reais e exige cautela na leitura do movimento para o mercado doméstico.

Óleo de soja

O óleo de soja fechou a 63,53 centavos de dólar por libra-peso no contrato de dezembro de 2026, queda de 2,68%. Foi o movimento mais expressivo entre os produtos acompanhados e levou o contrato ao menor nível em cerca de seis meses.

O recuo do petróleo no fim do dia ampliou a pressão, conforme a Pro Farmer. A ligação ocorre porque o óleo de soja também é matéria-prima para biocombustíveis: quando a energia perde valor, diminui a sustentação econômica oferecida por esse uso.

A queda também aprofundou a diferença de desempenho em relação ao farelo, que terminou em leve alta. Para a soja em grão, essa fraqueza é relevante porque reduz o valor obtido pela indústria com o processamento. No Brasil, o dólar mais baixo reforçou o tom negativo da sessão para o derivado.

Trigo

O trigo fechou a 598,50 centavos de dólar por bushel no contrato de dezembro de 2026, baixa de 0,21%. A variação foi pequena, mas manteve o cereal próximo das mínimas recentes.

O mercado segue atento à oferta do Mar Negro. A confirmação de encontros entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, previstos para 10 e 11 de novembro, reduziu parte do prêmio ligado ao risco de interrupções comerciais, segundo a Reuters. Uma eventual redução das tensões poderia facilitar o fluxo de grãos da região, embora o resultado das conversas permaneça incerto.

Nos Estados Unidos, 83% do trigo de inverno estava plantado e 65% havia emergido até 1º de novembro. A condição boa ou excelente alcançava 44%, segundo o USDA. Para o Brasil, a leve baixa em Chicago e a valorização do real tendem a aliviar a paridade de importação, especialmente nas regiões consumidoras dependentes do trigo estrangeiro.

Câmbio e macro

O dólar comercial fechou a R$ 5,4502, queda de 0,66% diante do real. Para os produtores e exportadores brasileiros, o movimento diminuiu a conversão das cotações internacionais para a moeda nacional.

O efeito foi mais perceptível na soja, que já havia recuado em Chicago, e no óleo de soja, que sofreu a maior queda do dia. No milho, a valorização externa compensou apenas parcialmente a mudança cambial. Para o trigo importado, real mais forte e preço externo ligeiramente menor formaram uma combinação favorável aos compradores brasileiros.

Leitura Brasil

A sessão deixou um quadro predominantemente negativo para o complexo soja no Brasil. A queda do grão em Chicago, o tombo do óleo e a desvalorização do dólar retiraram sustentação dos preços em reais. Ao mesmo tempo, o avanço do plantio brasileiro acima do ritmo do ano passado reduziu o risco imediato associado à implantação da nova safra.

O milho teve desempenho relativo melhor, com pequena alta em Chicago e confirmação de demanda externa pelos Estados Unidos. Ainda assim, o câmbio impediu uma leitura claramente positiva para o mercado doméstico.

No trigo, a combinação de Chicago ligeiramente mais fraca e dólar em queda tende a reduzir o custo teórico das importações. O comportamento da safra argentina e as condições de qualidade e disponibilidade no Paraná e no Rio Grande do Sul continuarão importantes para a formação dos preços brasileiros.

O que observar na próxima sessão

  • A reação do óleo de soja após a queda de 2,68% e o comportamento do petróleo.
  • Novas compras de soja e milho dos Estados Unidos por grandes importadores.
  • A evolução das chuvas e do plantio da soja no Centro-Oeste brasileiro.
  • As expectativas para o relatório de oferta e demanda do USDA, marcado para 10 de novembro.
  • Notícias sobre as negociações envolvendo Rússia e Ucrânia e seus efeitos sobre o trigo.
  • O comportamento do dólar frente ao real, especialmente após a queda desta quarta-feira.

Fontes

Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.