Soja recua com colheita nos EUA, mas dólar ampara preços no Brasil
A soja, o milho, o farelo e o trigo fecharam em queda em Chicago, com a colheita dos Estados Unidos mantendo pressão sobre os preços. No Brasil, a alta de 1,16% do dólar ajudou a compensar parte das perdas externas.
Pressão da colheita norte-americana sobre soja e milho, com alta do dólar amortecendo o impacto no Brasil.
Soja recua com colheita nos EUA, mas dólar ampara preços no Brasil
Resumo executivo
A maior parte do complexo de grãos terminou esta quinta-feira em baixa em Chicago. A pressão mais clara apareceu na soja e no farelo, enquanto milho e trigo também perderam terreno. O óleo de soja foi a exceção, com avanço discreto.
O contrato de janeiro de 2027 da soja fechou a 1.277,75 centavos de dólar por bushel, queda de 1,10% ante a sessão anterior. A movimentação ocorreu mesmo com a confirmação de novas vendas norte-americanas para a China, sinal de que a entrada da colheita dos Estados Unidos continuou pesando mais na formação dos preços.
Para o mercado brasileiro, o câmbio ofereceu uma compensação importante. O dólar fechou a R$ 5,0884, alta de 1,16%, reduzindo parte do impacto da queda de Chicago sobre os valores convertidos em reais.
Soja
A soja de janeiro de 2027 fechou a 1.277,75 centavos de dólar por bushel, recuo de 14,25 centavos em relação ao pregão anterior. Em termos percentuais, a baixa foi de 1,10%.
O principal fator de pressão continuou sendo o avanço da colheita norte-americana. O tempo predominantemente seco nas principais regiões produtoras permitiu acelerar os trabalhos depois de atrasos provocados pelas chuvas. Segundo o USDA, o departamento de agricultura dos Estados Unidos, 46% da área de soja havia sido colhida até 11 de outubro. (Business Recorder)
A demanda chinesa limitou parte da pressão, mas não foi suficiente para inverter o movimento. Nesta quinta-feira, o USDA confirmou vendas de 330 mil toneladas de soja para a China e outras 283,45 mil toneladas para destinos ainda não especificados, ambas referentes à temporada 2026/27. (USDA)
A leitura do dia, portanto, foi de confronto entre demanda e oferta: a China voltou a comprar volumes relevantes, mas a entrada física da safra dos Estados Unidos ampliou a disponibilidade imediata e manteve os compradores em posição confortável.
Milho
O milho com vencimento em julho de 2027 fechou a 503,50 centavos de dólar por bushel, queda de 0,79% na comparação com a sessão anterior.
Assim como na soja, o avanço da colheita norte-americana permaneceu como fator de pressão. O mercado também continua absorvendo um quadro de oferta mais confortável apresentado pelo USDA em outubro, o que reduz a urgência dos compradores e limita movimentos de recuperação mais firmes.
No Brasil, a alta do dólar foi positiva para a competitividade do cereal destinado à exportação. Ainda assim, o efeito cambial precisa ser analisado em conjunto com o ritmo dos embarques, a demanda doméstica para ração e etanol e o começo do plantio da primeira safra.
A próxima etapa importante para o milho brasileiro será a evolução do clima durante o estabelecimento das lavouras de verão. Esse desenvolvimento também terá influência sobre o calendário posterior da segunda safra, que concentra a maior parte da produção nacional.
Farelo e óleo de soja
O farelo de soja de dezembro de 2026 fechou a US$ 359,80 por tonelada curta, queda de 1,29%. Foi uma perda mais intensa que a observada no grão, mostrando enfraquecimento da sustentação proporcionada pela demanda por ração.
O óleo de soja de dezembro seguiu na direção oposta e terminou a 67,15 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,13%. O avanço foi pequeno, mas ajudou a limitar uma queda ainda maior no valor conjunto dos produtos obtidos pelo processamento da soja.
Essa diferença de comportamento merece atenção. Quando o farelo cai e o óleo sobe, o mercado está redistribuindo valor dentro do complexo da soja. Para as indústrias, o resultado depende não apenas do preço do grão, mas também da receita combinada com a venda dos dois derivados.
Trigo
O trigo brando de inverno negociado em Chicago, com vencimento em dezembro de 2026, fechou a 670 centavos de dólar por bushel. A queda foi de 0,48% ante o fechamento anterior.
O cereal acompanhou o tom mais fraco dos grãos, embora o mercado internacional continue atento ao plantio do trigo de inverno nos Estados Unidos e aos riscos envolvendo o comércio no Mar Negro. Até 11 de outubro, 51% da área norte-americana de trigo de inverno havia sido semeada, abaixo da média dos cinco anos anteriores. (UkrAgroConsult)
No Brasil, o câmbio mais alto encarece a referência externa e a importação, o que pode oferecer alguma proteção aos preços domésticos. Esse efeito é especialmente relevante porque o país depende de compras externas para complementar o abastecimento, com a Argentina ocupando posição central entre os fornecedores.
Câmbio e macro
O dólar fechou a R$ 5,0884, alta de 1,16% em relação aos R$ 5,0301 da sessão anterior. Foi o principal elemento de compensação para os mercados brasileiros nesta quinta-feira.
Para soja, milho e trigo, um dólar mais alto eleva o valor em reais das referências internacionais. Isso não garante alta automática nos preços domésticos, pois custos logísticos, disponibilidade regional e ritmo de negociação também influenciam as cotações. Ainda assim, o movimento cambial reduziu a transmissão direta das perdas observadas em Chicago.
Leitura Brasil
O fechamento trouxe uma combinação menos negativa para o produtor brasileiro do que a queda das bolsas, isoladamente, poderia sugerir. A soja perdeu 1,10% em Chicago, mas o dólar avançou 1,16%. Os movimentos praticamente se compensaram na conversão simples da referência internacional para reais, antes de considerar as condições de cada região e prazo de entrega.
No milho, o câmbio também ajudou, embora o mercado continue convivendo com uma oferta brasileira elevada. A Conab trabalha com perspectiva de nova produção expressiva no ciclo 2026/27, mantendo o clima e o ritmo de consumo interno entre os principais pontos de acompanhamento. (Conab)
Para o trigo, a valorização do dólar tende a aumentar o custo de reposição externa. Já no complexo da soja, a queda mais forte do farelo exige atenção, enquanto a leve alta do óleo ofereceu apenas compensação parcial.
O que observar na próxima sessão
- O ritmo da colheita de soja e milho nos Estados Unidos e as previsões de tempo para o Meio-Oeste.
- Novas compras chinesas de soja norte-americana e a capacidade dessas vendas de sustentar Chicago.
- A reação do farelo depois da queda de 1,29% desta quinta-feira.
- A continuidade, ou não, da valorização do dólar frente ao real.
- O andamento do plantio brasileiro de soja e milho de primeira safra.
- As condições das lavouras de trigo no Sul do Brasil e o comportamento da oferta argentina.
Fontes
- CME Group: preços de fechamento e calendário de negociação.
- Banco Central do Brasil: referência para o mercado de câmbio.
- USDA: vendas de exportação e andamento da colheita norte-americana.
- Conab: perspectivas para a safra brasileira.
- Reuters: contexto dos mercados internacionais.
Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.
