Óleo de soja cai, grãos divergem e dólar sustenta referências no Brasil
O óleo de soja registrou o movimento mais forte do dia, com queda de 1,41%, enquanto soja e milho também recuaram. Farelo e trigo avançaram, e a alta do dólar ajudou a amortecer parte da pressão externa sobre as referências brasileiras.
Pressão concentrada no óleo de soja, em uma sessão de movimentos divergentes entre grãos e derivados
Óleo de soja cai, grãos divergem e dólar sustenta referências no Brasil
Resumo executivo
O complexo da soja encerrou a sessão com sinais mistos. A soja em grão recuou 0,51%, e o óleo de soja caiu 1,41%, no movimento mais forte entre os mercados acompanhados. O farelo, por outro lado, avançou 0,36%. Milho e trigo também seguiram direções opostas: o cereal usado em rações perdeu 0,45%, enquanto o trigo subiu 0,60%.
Para o mercado brasileiro, a principal compensação veio do câmbio. O dólar fechou a R$ 5,0301, alta de 0,18% em relação à sessão anterior. A valorização da moeda americana reduz parte do impacto das perdas externas quando os preços são convertidos para reais, mas não elimina a pressão provocada pela queda da soja e, principalmente, do óleo.
O pano de fundo continua marcado pela entrada da safra norte-americana no mercado. A colheita avança, embora soja e milho ainda apresentem atraso em relação à média dos últimos cinco anos. Ao mesmo tempo, os números de oferta divulgados em outubro pelo USDA, o departamento de agricultura dos Estados Unidos, mantêm o mercado atento ao tamanho da produção e dos estoques americanos.
Soja
O contrato de novembro de 2026 da soja fechou a US$ 12,7725 por bushel, queda de 0,51% ante os US$ 12,8375 da sessão anterior. O recuo foi moderado, mas manteve a oleaginosa sob pressão depois da recuperação observada em parte dos vencimentos mais longos.
O relatório semanal de lavouras do USDA mostrou que 46% da área de soja dos Estados Unidos havia sido colhida até 11 de outubro. O índice avançou com força frente aos 25% da semana anterior, mas permaneceu abaixo da média de 50% para o período. Em Iowa, Nebraska e Dakota do Sul, o trabalho de campo seguia especialmente atrasado em relação ao ritmo histórico. (USDA)
Esse atraso limita a leitura de que a oferta chegará ao mercado sem obstáculos, mas o balanço mensal do USDA trouxe um contraponto. Em outubro, o órgão elevou a estimativa de produção norte-americana de soja para 4,562 bilhões de bushels, ante 4,535 bilhões projetados em setembro. A previsão de exportações também aumentou, enquanto os estoques finais ficaram em 315 milhões de bushels. (USDA)
Na prática, a sessão mostrou que o mercado ainda procura equilíbrio entre uma colheita abaixo do ritmo normal em estados importantes e uma projeção maior de produção. Para o Brasil, o dólar mais firme ajudou a reduzir a intensidade da perda externa na conversão para reais.
Milho
O contrato de março de 2027 do milho fechou a US$ 4,9425 por bushel, baixa de 0,45% frente aos US$ 4,9650 do dia anterior. O movimento foi semelhante ao da soja, com pressão moderada e sem ruptura mais ampla nas referências.
A colheita norte-americana atingiu 33% da área até 11 de outubro, contra 23% uma semana antes. O ritmo, porém, ainda estava abaixo da média de 39%. Iowa, Minnesota, Nebraska e Dakota do Sul apresentavam alguns dos atrasos mais relevantes, enquanto Illinois já estava à frente do padrão histórico. (USDA)
O balanço de outubro do USDA continua sendo um ponto de pressão para o milho. O órgão elevou a projeção de produção dos Estados Unidos para 16,034 bilhões de bushels, ante 15,8 bilhões em setembro. Os estoques finais previstos subiram de 1,567 bilhão para 1,849 bilhão de bushels, mesmo com ajustes positivos no consumo doméstico e nas exportações. (USDA)
Para o mercado brasileiro, esse aumento da oferta americana funciona como limite para movimentos mais fortes em Chicago. Em sentido contrário, o câmbio acima de R$ 5,03 oferece algum apoio à formação das referências internas e à competitividade das exportações.
Farelo e óleo de soja
O farelo de soja para dezembro de 2026 fechou a US$ 364,50 por tonelada curta, avanço de 0,36%. O óleo de soja do mesmo vencimento terminou a 67,06 centavos de dólar por libra-peso, queda de 1,41%.
A diferença entre os dois derivados foi o destaque da sessão. Enquanto o farelo encontrou sustentação, o óleo concentrou as vendas e ampliou sua perda em relação ao restante do complexo. Essa separação importa para a indústria porque altera a participação de cada produto na receita do processamento da soja.
O USDA manteve em outubro sua projeção de 2,780 bilhões de bushels para o processamento de soja nos Estados Unidos em 2026/27. Para o óleo, o órgão preservou a previsão de 17,8 bilhões de libras destinadas aos biocombustíveis, mas reduziu a estimativa de estoques finais de 1,877 bilhão para 1,797 bilhão de libras. No farelo, a projeção de consumo doméstico subiu para 44,1 milhões de toneladas curtas. (USDA)
Mesmo com esse quadro de demanda, o comportamento do dia foi claramente mais fraco para o óleo. Para o Brasil, isso merece atenção porque uma queda persistente do derivado pode reduzir o suporte oferecido pelo processamento industrial à soja em grão.
Trigo
O trigo de dezembro de 2026 fechou a US$ 6,7325 por bushel, alta de 0,60% ante os US$ 6,6925 da sessão anterior. Foi o melhor desempenho entre os grãos acompanhados.
O mercado segue avaliando um balanço americano mais apertado do que o observado na temporada anterior, embora o USDA tenha elevado em outubro sua projeção de estoques finais dos Estados Unidos para 740 milhões de bushels, ante 717 milhões em setembro. A revisão refletiu, entre outros pontos, menor previsão de exportações. (USDA)
No cenário mundial, o USDA estimou estoques finais de trigo em 276,04 milhões de toneladas para 2026/27, praticamente estáveis em relação à leitura de setembro. Para o Brasil, a produção foi reduzida de 6 milhões para 5,8 milhões de toneladas, enquanto a previsão de importação permaneceu em 7,5 milhões. (USDA)
Esse quadro mantém o mercado brasileiro sensível ao câmbio, à disponibilidade doméstica e aos preços de fornecedores externos, especialmente da Argentina.
Câmbio e macro
O dólar fechou a R$ 5,0301, valorização de 0,18% sobre os R$ 5,0213 da sessão anterior. Embora a mudança tenha sido pequena, a moeda voltou a ficar acima de R$ 5,03 e ofereceu uma compensação parcial para as perdas de soja e milho em Chicago.
Para commodities exportadas, um dólar mais alto tende a elevar o valor em reais de uma mesma cotação internacional. Esse efeito, no entanto, não é uniforme: custos logísticos, disponibilidade regional e ritmo de comercialização também influenciam a formação dos preços no Brasil.
Leitura Brasil
A leitura do dia é mista. Soja e milho receberam sinais negativos de Chicago, mas encontraram alguma proteção no câmbio. O óleo de soja foi o elo mais fraco, enquanto farelo e trigo avançaram.
O mercado brasileiro também se prepara para uma nova temporada de grande oferta. Em perspectiva divulgada em setembro, a Conab projetou produção de 181,64 milhões de toneladas de soja e cerca de 148 milhões de toneladas de milho na safra 2026/27. A expansão esperada é mais moderada para a soja, e o resultado final dependerá do clima durante o plantio e o desenvolvimento das lavouras. (Conab)
Assim, o câmbio permanece relevante para preservar a competitividade brasileira, principalmente em um ambiente no qual a produção dos Estados Unidos entra no mercado e a América do Sul caminha para outra safra volumosa.
O que observar na próxima sessão
- A continuidade da pressão sobre o óleo de soja e uma possível ampliação da diferença em relação ao farelo.
- O ritmo da colheita de soja e milho nos Estados Unidos, sobretudo nos estados mais atrasados.
- A reação do milho às projeções maiores de produção e estoques americanos.
- A sustentação do trigo após a alta desta sessão.
- O comportamento do dólar em torno de R$ 5,03 e seus efeitos sobre as referências brasileiras.
Fontes
Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.
