← Inteligência em commodities

Milho sente oferta maior nos EUA, com soja acima de US$ 13 e dólar abaixo de R$ 5 no Brasil

A ampliação da produção e dos estoques norte-americanos manteve o milho sob pressão após o relatório de outubro do USDA. A soja permaneceu acima de US$ 13 no contrato de janeiro, enquanto o dólar abaixo de R$ 5 limitou o apoio aos preços no Brasil.

Soja · BaixaMilho · BaixaFarelo · NeutroÓleo · NeutroTrigo · Baixa
Driver principal

Aumento das estimativas de produção e estoques finais de milho nos Estados Unidos no relatório de outubro do USDA

Milho sente oferta maior nos EUA, com soja acima de US$ 13 e dólar abaixo de R$ 5 no Brasil

Resumo executivo

O mercado agrícola começou a semana ainda absorvendo o relatório de outubro do USDA, o departamento de agricultura dos Estados Unidos, divulgado na sexta-feira. A principal mudança foi o aumento expressivo da estimativa para a safra e os estoques finais de milho norte-americanos. Na soja, os ajustes foram menores, mas também apontaram uma oferta um pouco mais ampla.

Apesar do feriado de Columbus Day nos Estados Unidos, os contratos agrícolas tiveram preços de fechamento calculados nos horários normais pela bolsa de Chicago, administrada pelo CME Group. O milho de dezembro fechou a US$ 4,83 por bushel, unidade padrão de negociação. A soja de janeiro de 2027 terminou a US$ 13,0475 por bushel. (CME Group)

No Brasil, o dólar encerrou a R$ 4,9855. A moeda abaixo de R$ 5 reduz parte da compensação que o câmbio poderia oferecer aos preços domésticos diante de um ambiente internacional pressionado pela colheita dos Estados Unidos.

Soja

A soja de janeiro de 2027 fechou a US$ 13,0475 por bushel. O nível acima de US$ 13 oferece alguma sustentação nominal, mas o cenário fundamental ficou um pouco mais confortável para os compradores depois das revisões do USDA.

O departamento elevou a produtividade média norte-americana de 52,8 para 53,1 bushels por acre e aumentou a estimativa de produção de 4,535 bilhões para 4,562 bilhões de bushels. Os estoques finais passaram de 310 milhões para 315 milhões de bushels. Parte dessa oferta adicional foi compensada pela elevação da previsão de exportações, de 1,685 bilhão para 1,695 bilhão de bushels. (USDA)

A leitura, portanto, não foi de uma mudança brusca no quadro da soja, mas retirou parte do argumento de aperto imediato nos Estados Unidos. O avanço da colheita sob condições climáticas mais favoráveis também manteve o mercado atento à entrada física de grãos nas próximas semanas. (Mint)

Para o Brasil, o plantio da safra 2026/27 avança com ajuda das chuvas em áreas produtoras. Isso começa a deslocar a atenção para a regularidade das precipitações em outubro e novembro, especialmente no Centro-Oeste. Um início rápido reduz riscos de atraso, mas ainda não garante produtividade.

Milho

O milho de dezembro fechou a US$ 4,83 por bushel. Entre os produtos acompanhados, foi o mercado com a pressão fundamental mais evidente após o relatório do USDA.

A estimativa de produtividade dos Estados Unidos subiu de 178,5 para 181,2 bushels por acre. Com isso, a produção projetada avançou de 15,8 bilhões para 16,034 bilhões de bushels. Os estoques finais da temporada 2026/27 saltaram de 1,567 bilhão para 1,849 bilhão de bushels, mesmo com aumentos nas projeções de consumo doméstico, produção de etanol e exportações. (USDA)

Essa combinação amplia a margem de segurança da oferta norte-americana justamente durante a colheita. Para que o milho encontre sustentação mais firme, o mercado precisará observar demanda suficiente para absorver o volume adicional, seja pelas exportações, seja pelo uso doméstico nos Estados Unidos.

No Brasil, a perspectiva da Conab para 2026/27 aponta produção próxima de 148 milhões de toneladas, apoiada por uma possível expansão de área. O resultado ainda dependerá do clima e do calendário de plantio da soja, que influencia diretamente a janela do milho de segunda safra. (Conab)

Farelo e óleo de soja

O farelo de soja de dezembro fechou a US$ 368,70 por tonelada curta. O relatório do USDA manteve a produção norte-americana projetada em 65,8 milhões de toneladas curtas e os estoques finais em 450 mil toneladas curtas. A previsão de consumo doméstico subiu em 100 mil toneladas curtas, acompanhada por igual aumento das importações. (USDA)

O óleo de soja de dezembro terminou a 68,63 centavos de dólar por libra-peso. O USDA manteve em 17,8 bilhões de libras a projeção de uso do óleo de soja para biocombustíveis nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, reduziu os estoques finais previstos de 1,877 bilhão para 1,797 bilhão de libras. Esse quadro oferece ao óleo uma base relativamente mais firme do que a observada no milho e no grão de soja. (USDA)

No cenário mundial, o departamento reduziu levemente a estimativa de estoques finais de óleo de soja, de 6,92 milhões para 6,85 milhões de toneladas. Para o farelo, elevou a projeção de produção e exportações globais. (USDA)

Trigo

No trigo, a principal mudança veio do balanço norte-americano. O USDA elevou os estoques finais dos Estados Unidos de 717 milhões para 740 milhões de bushels e reduziu a previsão de exportações de 775 milhões para 750 milhões de bushels. A estimativa do preço médio ao produtor também recuou de US$ 6,40 para US$ 6,30 por bushel. (USDA)

O aumento dos estoques limita a força do mercado norte-americano, embora a produção de trigo dos Estados Unidos permaneça bem abaixo da temporada anterior. Para o Brasil, o comportamento do dólar, a disponibilidade no Paraná e no Rio Grande do Sul e a competitividade do produto argentino continuam sendo as referências centrais.

Câmbio e macro

O dólar fechou a R$ 4,9855. Para soja, milho e trigo, uma moeda norte-americana abaixo de R$ 5 reduz o valor em reais obtido a partir das referências internacionais, especialmente quando Chicago enfrenta pressão de oferta.

O feriado norte-americano também adiou para terça-feira a atualização semanal do avanço da colheita. Esse relatório deverá ajudar a medir quanto milho e soja já entrou no mercado físico dos Estados Unidos depois da melhora do tempo no Meio-Oeste. (Mint)

Leitura Brasil

A combinação do dia foi pouco favorável à formação dos preços domésticos: oferta maior projetada nos Estados Unidos, colheita norte-americana avançando e dólar abaixo de R$ 5. Para a soja, o contrato de janeiro acima de US$ 13 evita uma leitura mais negativa, mas o câmbio limita a conversão desse patamar em reais.

No milho, o aumento dos estoques norte-americanos reforça a necessidade de acompanhar a demanda de exportação e o consumo para etanol. Internamente, o mercado também começa a olhar para o plantio de verão e para o ritmo da soja, que definirá a janela do cereal de segunda safra.

O que observar na próxima sessão

  • O avanço semanal da colheita de soja e milho nos Estados Unidos.
  • A reação dos compradores internacionais à ampliação da oferta norte-americana.
  • Novas indicações de demanda chinesa por soja.
  • A regularidade das chuvas e o ritmo do plantio no Centro-Oeste brasileiro.
  • O comportamento do dólar em relação ao nível de R$ 5.
  • A relação entre o óleo de soja, o petróleo e a demanda por biocombustíveis.

Fontes

  • CME Group: calendário e referências dos mercados futuros.
  • USDA: relatório mundial de oferta e demanda de outubro.
  • Conab: perspectivas para a safra brasileira 2026/27.
  • Reuters: contexto de colheita, clima e mercado internacional.

Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.