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Milho desaba com safra maior nos EUA e dólar recua no Brasil

O aumento inesperado da produtividade e dos estoques de milho nos Estados Unidos provocou forte queda em Chicago. A soja recuperou as perdas iniciais com apoio do farelo, enquanto trigo e dólar fecharam em baixa.

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Aumento expressivo da produção e dos estoques de milho dos Estados Unidos projetados pelo USDA

Milho desaba com safra maior nos EUA e dólar recua no Brasil

Resumo executivo

O milho foi o principal destaque negativo desta sexta-feira. O contrato de dezembro de 2026 fechou a US$ 4,7975 por bushel — unidade de negociação utilizada nos Estados Unidos —, queda de 4,10% em relação à sessão anterior. O movimento veio após o USDA, o departamento de agricultura dos Estados Unidos, elevar de forma expressiva suas estimativas de produtividade, produção e estoques norte-americanos.

A soja também caiu logo depois da divulgação do relatório, mas recuperou terreno ao longo da tarde. O contrato de janeiro de 2027 terminou a US$ 13,0875 por bushel, alta de 0,35%. O farelo de soja avançou 2,24% e foi o componente mais forte do complexo, enquanto o óleo subiu apenas 0,15%.

O trigo acompanhou a pressão sobre os grãos e recuou 1,79% no contrato de março de 2027. No Brasil, o dólar caiu para R$ 4,9855, uma baixa de 0,77% que reduziu parte da sustentação cambial aos preços domésticos.

Soja

A soja teve uma sessão de duas etapas. Na primeira, predominou a reação negativa ao relatório mensal de oferta e demanda do USDA. Na segunda, o mercado recuperou as perdas, apoiado principalmente pela valorização do farelo e pela leitura de que o quadro norte-americano da oleaginosa ficou menos folgado do que o do milho.

O USDA elevou a produtividade média da safra dos Estados Unidos de 52,8 para 53,1 bushels por acre. Com isso, a produção passou de 4,535 bilhões para 4,562 bilhões de bushels. Os estoques finais da temporada 2026/27 subiram de 310 milhões para 315 milhões de bushels. Ao mesmo tempo, a projeção de exportações foi ampliada em 10 milhões de bushels, para 1,695 bilhão, absorvendo parte do aumento da oferta. (USDA)

Esse equilíbrio explica por que a soja conseguiu reagir, mesmo diante de uma estimativa recorde de produtividade. O relatório foi negativo na margem, mas não produziu a mesma mudança estrutural observada no milho. A demanda externa projetada continuou oferecendo um contraponto à maior colheita.

No quadro mundial, o USDA manteve a produção brasileira de soja em 186 milhões de toneladas e as exportações em 118 milhões. Para a China, a projeção de importações permaneceu em 115 milhões de toneladas. Portanto, o relatório não alterou os dois números mais importantes para a disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos na temporada 2026/27. (USDA)

O contrato de janeiro de 2027 fechou a 1.308,75 centavos de dólar por bushel, equivalente a US$ 13,0875, avanço de 0,35%. A alta foi moderada e não apaga o aumento da oferta norte-americana, mas mostra que o mercado encontrou compradores depois da reação inicial ao relatório.

Milho

O milho concentrou a principal mudança do dia. O USDA elevou a produtividade dos Estados Unidos de 178,5 para 181,2 bushels por acre. A produção estimada saltou de 15,800 bilhões para 16,034 bilhões de bushels, aumento de 234 milhões de bushels em apenas um mês.

Os estoques finais projetados subiram ainda mais: passaram de 1,567 bilhão para 1,849 bilhão de bushels. O aumento ocorreu mesmo com revisões positivas no consumo para ração, no uso industrial, na produção de etanol e nas exportações. Em outras palavras, a melhora esperada da demanda não foi suficiente para compensar o crescimento da oferta. (USDA)

A reação em Chicago foi imediata. O contrato de dezembro de 2026 fechou a 479,75 centavos de dólar por bushel, baixa de 4,10%. O preço chegou a sofrer pressão ainda maior durante a sessão, antes de reduzir parte das perdas no fechamento. (DTN)

A mudança também apareceu no balanço mundial. O USDA elevou os estoques globais de milho da temporada 2026/27 de 272,10 milhões para 280,44 milhões de toneladas. A produção brasileira foi mantida em 139 milhões de toneladas, com exportações de 43 milhões. Assim, o fator novo veio essencialmente dos Estados Unidos, e não de uma revisão da oferta sul-americana. (USDA)

Para o mercado brasileiro, a combinação de Chicago em forte queda e dólar abaixo de R$ 5 cria uma referência mais fraca para a formação de preços. O impacto pode variar conforme a região, a disponibilidade local e a necessidade de compra de consumidores, mas o sinal externo da sessão foi claramente negativo.

Farelo e óleo de soja

O farelo foi o ponto de sustentação do complexo da soja. O contrato de dezembro de 2026 fechou a US$ 365,60 por tonelada curta — medida norte-americana equivalente a cerca de 907 quilos —, alta de 2,24%.

O USDA manteve a produção norte-americana projetada de farelo em 65,8 milhões de toneladas curtas e os estoques finais em 450 mil toneladas curtas. Houve pequenos aumentos nas importações e no consumo doméstico, sem mudança nas exportações projetadas. No quadro mundial, a produção e as exportações de farelo foram revisadas para cima, inclusive na Argentina, principal exportadora global do produto. (USDA)

A alta do farelo ajudou a soja em grão a se recuperar. Como o esmagamento transforma a soja em farelo e óleo, uma valorização mais forte de um desses produtos pode melhorar a margem das indústrias e sustentar a demanda pela matéria-prima.

O óleo de soja teve comportamento mais contido. O contrato de dezembro fechou a 68,02 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 0,15%. O USDA manteve em 17,8 bilhões de libras o consumo norte-americano de óleo destinado a biocombustíveis. Os estoques finais foram reduzidos de 1,877 bilhão para 1,797 bilhão de libras, principalmente por causa de uma base inicial menor, embora as importações tenham sido elevadas. (USDA)

A leitura para os derivados ficou, portanto, dividida: farelo firme, com influência importante sobre a recuperação da soja, e óleo praticamente estável, sem um impulso comparável.

Trigo

O trigo fechou em baixa após o USDA elevar os estoques finais dos Estados Unidos. O contrato de março de 2027 terminou a 685,25 centavos de dólar por bushel, recuo de 1,79%.

A produção norte-americana foi ajustada de 1,531 bilhão para 1,534 bilhão de bushels. O aumento foi pequeno, mas o USDA também reduziu a projeção de exportações de 775 milhões para 750 milhões de bushels. Como resultado, os estoques finais avançaram de 717 milhões para 740 milhões de bushels. A estimativa do preço médio recebido pelos produtores caiu de US$ 6,40 para US$ 6,30 por bushel. (USDA)

O quadro mundial foi um pouco menos negativo. Os estoques globais recuaram ligeiramente, de 276,29 milhões para 276,04 milhões de toneladas, enquanto o comércio internacional projetado diminuiu. Ainda assim, o aumento dos estoques nos Estados Unidos teve maior peso sobre os contratos negociados em Chicago. (USDA)

No Brasil, o trigo segue exigindo atenção especial à relação entre preços do Paraná e do Rio Grande do Sul, câmbio e custo do produto importado. A queda simultânea de Chicago e do dólar tende a tornar a referência externa mais competitiva para compradores brasileiros, embora fretes, qualidade e disponibilidade regional continuem relevantes.

Câmbio e macro

O dólar fechou a R$ 4,9855, baixa de 0,77% ante os R$ 5,0243 da sessão anterior. O retorno para abaixo de R$ 5 reduziu o valor em reais das cotações internacionais.

Para soja, milho e trigo, um dólar mais baixo costuma limitar a transmissão de eventuais altas externas aos preços domésticos. Nesta sexta-feira, o efeito foi mais relevante porque milho e trigo também recuaram em Chicago. Na soja, a valorização moderada do contrato futuro compensou apenas parte da queda cambial.

Não é possível atribuir toda a formação dos preços brasileiros a uma única variável. Oferta regional, frete, necessidade das indústrias e ritmo de comercialização seguem importantes. Ainda assim, a combinação entre câmbio mais baixo e aumento da oferta norte-americana foi a principal mudança externa para o Brasil.

Leitura Brasil

O resultado da sessão foi desfavorável principalmente para o milho brasileiro. A estimativa de safra dos Estados Unidos mudou de maneira suficiente para ampliar a concorrência exportadora e reduzir a percepção de aperto no mercado internacional.

Na soja, a leitura é mais equilibrada. O aumento da produção norte-americana limita o espaço para altas mais fortes, mas a manutenção das importações chinesas em 115 milhões de toneladas e das exportações brasileiras em 118 milhões preserva um cenário de demanda mundial elevada. A força do farelo também evitou que a pressão do relatório dominasse todo o complexo.

Para o trigo, o recuo de Chicago e do dólar merece atenção dos moinhos e vendedores brasileiros. A relação entre o cereal doméstico e o importado pode ficar mais apertada, especialmente nas regiões em que o custo logístico favorece a entrada de produto estrangeiro.

O que observar na próxima sessão

  • A continuidade, ou não, da pressão sobre o milho depois da forte revisão da safra norte-americana.
  • O comportamento da soja acima de US$ 13 por bushel e a capacidade do farelo de sustentar o complexo.
  • O ritmo das exportações dos Estados Unidos, especialmente de soja para a China.
  • A reação dos preços brasileiros à combinação de Chicago e dólar abaixo de R$ 5.
  • As condições de colheita nos Estados Unidos e de plantio da nova safra no Brasil.
  • A evolução das referências de importação do trigo para o mercado brasileiro.

Fontes

  • CME Group — preços de fechamento dos contratos agrícolas.
  • USDA — relatório mensal de oferta e demanda de outubro. (USDA)
  • CEPEA/ESALQ — referências do mercado físico brasileiro.
  • Banco Central do Brasil — referência do mercado de câmbio.

Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.