Soja recua antes do USDA, e dólar limita pressão no Brasil
A soja e o farelo fecharam em queda em Chicago, pressionados pela colheita norte-americana e pela cautela antes do relatório do USDA. O óleo de soja avançou, enquanto a alta do dólar ajudou a reduzir parte do impacto negativo para os preços brasileiros.
Pressão da colheita norte-americana e redução de risco antes do relatório de oferta e demanda do USDA.
Soja recua antes do USDA, e dólar limita pressão no Brasil
Resumo executivo
A soja encerrou a sessão em queda na bolsa de Chicago, acompanhada por uma baixa mais forte do farelo. O óleo de soja seguiu na direção contrária e avançou, favorecido pelo ambiente mais firme no mercado de energia. Milho e trigo também terminaram sob pressão moderada.
O principal fator do dia foi a redução de risco antes do relatório mensal de oferta e demanda do USDA, o departamento de agricultura dos Estados Unidos. A aceleração da colheita norte-americana ampliou a cautela, enquanto os números semanais de exportação ficaram perto da parte inferior das expectativas para soja e milho. (ADMIS)
Para o Brasil, o dólar fechou a R$ 5,0243, com alta de 0,36% sobre a leitura anterior. Esse movimento ajudou a amortecer parte da queda de Chicago na formação dos preços domésticos, embora não tenha eliminado o tom defensivo trazido pela soja e pelo farelo.
Soja
O contrato de soja para novembro de 2026 fechou a US$ 12,8750 por bushel, medida padrão utilizada no comércio norte-americano de grãos. A queda foi de 0,77% em relação aos US$ 12,9750 da sessão anterior.
A diferença mais importante em relação à quarta-feira foi a perda do suporte observado durante parte da negociação noturna. O petróleo mais caro chegou a favorecer o complexo da soja no início do dia, mas a pressão da colheita dos Estados Unidos e a cautela antes do relatório do USDA prevaleceram no fechamento. (Business Recorder)
As vendas semanais norte-americanas de soja ficaram abaixo das expectativas do mercado. Embora os compromissos acumulados continuem acima do ritmo do ciclo anterior, as novas compras atribuídas diretamente à China foram limitadas, com parte relevante do volume resultando apenas da identificação do destino de negócios anunciados anteriormente. Isso reduziu a força de uma possível leitura positiva da demanda. (ADMIS)
O mercado chega à próxima sessão concentrado na revisão da produção dos Estados Unidos. A expectativa predominante entre analistas é de pouca alteração na produtividade da soja, o que aumenta o risco de reação caso o USDA apresente uma mudança mais expressiva na safra ou nos estoques.
Milho
O milho para dezembro de 2026 fechou a US$ 5,0025 por bushel. O cereal permaneceu próximo da marca de US$ 5,00, mas encontrou dificuldade para avançar diante da retomada dos trabalhos de colheita no Meio-Oeste norte-americano.
As vendas semanais de exportação dos Estados Unidos ficaram na parte inferior das projeções. Os compromissos acumulados também seguem abaixo do ritmo registrado um ano antes, um sinal de que a demanda externa ainda precisa ganhar velocidade para sustentar uma recuperação mais consistente. (ADMIS)
Ao mesmo tempo, o relatório do USDA mantém o mercado cauteloso. Analistas esperam uma redução na estimativa de produtividade do milho norte-americano, mas parte dessa possibilidade já vinha sendo considerada nos preços. Assim, a reação dependerá não apenas da produção, mas também das projeções de consumo, exportações e estoques finais.
Farelo e óleo de soja
O farelo de soja para dezembro fechou a US$ 357,60 por tonelada curta, unidade equivalente a aproximadamente 907 quilos. Na sessão anterior, o contrato havia terminado a US$ 365,80, o que representa uma queda de 2,24%.
A baixa devolveu boa parte da recuperação observada na quarta-feira. O movimento acompanhou a fraqueza da soja e mostrou menor disposição dos participantes em sustentar posições compradas antes dos novos números do USDA.
O óleo de soja para dezembro teve comportamento oposto. O contrato avançou de 67,68 para 67,92 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,35%. A valorização do petróleo e as preocupações com a oferta de energia no Oriente Médio deram sustentação aos biocombustíveis e ajudaram o óleo a se descolar do restante do complexo. (Business Recorder)
Essa divisão merece atenção: farelo em queda e óleo em alta alteram a contribuição de cada produto para a margem das indústrias de processamento. O relatório do USDA poderá trazer novos sinais sobre o uso de óleo de soja na produção de combustíveis renováveis.
Trigo
O trigo de inverno negociado em Chicago, com vencimento em dezembro de 2026, fechou a US$ 6,8325 por bushel. O contrato recuou 0,47% ante os US$ 6,8650 da sessão anterior.
A queda foi limitada pelas preocupações com o comércio no Mar Negro. Ataques recentes a embarcações e o risco de restrições adicionais ao transporte de grãos russos mantiveram um componente de risco geopolítico nos preços. Ao mesmo tempo, sinais de exportações russas por rotas alternativas e a melhora das condições de umidade em áreas produtoras dos Estados Unidos impediram uma reação mais firme. (Business Recorder)
Para o mercado brasileiro, a alta do dólar tende a elevar o custo de reposição do trigo importado. Esse efeito oferece algum suporte à paridade de importação, mesmo em uma sessão de baixa moderada em Chicago.
Câmbio e macro
O dólar encerrou a R$ 5,0243, avanço de 0,36% sobre os R$ 5,0061 da leitura anterior. Para as commodities exportadas pelo Brasil, a moeda norte-americana mais alta aumenta o valor em reais obtido a partir de uma mesma cotação internacional.
No caso da soja, esse efeito compensou parcialmente a queda de Chicago. Para trigo e outros produtos com participação relevante das importações, o câmbio mais alto encarece a reposição externa e pode sustentar os preços domésticos.
O mercado de energia também ganhou importância na sessão. A alta do petróleo ofereceu apoio ao óleo de soja, mas não foi suficiente para impedir as perdas da soja em grão e do farelo. (Business Recorder)
Leitura Brasil
A combinação do dia foi mista para o produtor brasileiro. Chicago trouxe pressão para soja, farelo, milho e trigo, enquanto o câmbio atuou como proteção parcial. Na soja, a alta do dólar reduziu o impacto da queda externa, mas o ambiente permaneceu mais defensivo diante da colheita norte-americana e da proximidade do relatório do USDA.
No milho, a referência de Chicago ficou perto de US$ 5,00 por bushel, enquanto o câmbio mais firme ajudou a preservar a competitividade das exportações brasileiras. Ainda assim, o ritmo de embarques, a demanda interna e o comportamento das vendas dos produtores continuam sendo decisivos para os preços regionais.
No trigo, o real mais fraco elevou a sensibilidade à paridade de importação. As condições da safra brasileira, a disponibilidade de trigo argentino e os riscos ao comércio no Mar Negro permanecem como os principais pontos para a formação dos preços nas próximas semanas.
O que observar na próxima sessão
- O relatório mensal de oferta e demanda do USDA, com atenção às produtividades de soja e milho dos Estados Unidos.
- As revisões dos estoques finais norte-americanos e mundiais.
- A reação do óleo de soja às projeções de demanda para biocombustíveis.
- O ritmo da colheita norte-americana e as condições de tempo no Meio-Oeste.
- Novas compras de soja pela China e o desempenho das exportações de milho.
- A evolução do petróleo e dos riscos ao transporte de grãos no Mar Negro.
- O comportamento do dólar diante do real e seu efeito sobre os preços brasileiros.
Fontes
Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.
