Farelo sobe, óleo recua e dólar amplia cautela no Brasil
O complexo soja terminou o dia dividido, com alta de 3,10% no farelo e queda de 3,19% no óleo. Milho recuou, enquanto o dólar voltou a superar R$ 5. No Brasil, o plantio da soja avançou para 9,4% da área, mas o excesso de chuva segue preocupando o trigo no Sul.
Forte divergência entre farelo e óleo de soja às vésperas do relatório de oferta e demanda do USDA
Farelo sobe, óleo recua e dólar amplia cautela no Brasil
Resumo executivo
O principal movimento desta quarta-feira veio de dentro do complexo soja. Enquanto o farelo avançou 3,10%, para US$ 365,80 por tonelada curta, o óleo de soja caiu 3,19%, a 67,68 centavos de dólar por libra-peso. A direção oposta entre os derivados mostrou um mercado mais preocupado em reposicionar preços relativos do que em assumir uma visão única para a soja.
O contrato de soja para novembro de 2026 fechou a 1.297,50 centavos de dólar por bushel, equivalentes a US$ 12,9750 por bushel. No milho, o contrato para março de 2027 recuou 1,01%, para 517,00 centavos de dólar por bushel. O trigo de Chicago para dezembro encerrou a 686,50 centavos.
No Brasil, o dólar subiu 0,58% e terminou a R$ 5,0061. A valorização da moeda norte-americana oferece algum apoio à conversão dos preços internacionais para reais, mas não elimina o efeito de uma sessão mais fraca para o milho e para o óleo de soja.
O mercado também reduziu a disposição para apostas mais firmes antes do relatório mundial de oferta e demanda do USDA, o departamento de agricultura dos Estados Unidos, previsto para sexta-feira, 9 de outubro. (CME Group)
Soja
A soja fechou a 1.297,50 centavos de dólar por bushel no contrato de novembro. O grão terminou sem reproduzir integralmente a forte alta do farelo nem acompanhar a queda mais intensa do óleo, permanecendo no centro da disputa entre os dois derivados.
Nos Estados Unidos, a colheita continuava atrasada em relação ao ritmo histórico. Até 4 de outubro, 25% da área de soja havia sido colhida, ante média de 33% para o período. Em Iowa, apenas 5% da área estava colhida, muito abaixo da média de 38%. O atraso pode limitar temporariamente a entrada de produto, mas não representa, por si só, perda de produção. (USDA)
A proximidade do relatório do USDA também favorece uma postura mais cautelosa. O documento de sexta-feira atualizará as estimativas de produção, estoques e demanda de soja, milho e trigo. Até lá, oscilações nos derivados podem continuar exercendo influência desproporcional sobre o grão.
Milho
O milho para março de 2027 caiu 1,01%, fechando a 517,00 centavos de dólar por bushel. Foi uma mudança mais claramente negativa do que a observada na soja, ainda que sem caracterizar uma ruptura de preços.
A colheita norte-americana alcançou 23% da área até 4 de outubro, abaixo da média de cinco anos, de 27%. O atraso foi mais acentuado em estados importantes: Iowa estava com 7% colhido, contra média de 20%, enquanto Nebraska registrava 15%, ante 24% na média histórica. Ao mesmo tempo, 83% do milho já havia atingido a maturidade, exatamente em linha com a média. (USDA)
Isso sugere que o mercado vê mais uma demora operacional do que uma ameaça generalizada à oferta. No Brasil, o câmbio acima de R$ 5 ajuda a amortecer parte da queda externa, mas compradores e vendedores seguem atentos ao tamanho da produção disponível e ao avanço do plantio de verão.
Farelo e óleo de soja
O farelo foi o destaque positivo do dia. O contrato de dezembro subiu 3,10%, de US$ 354,80 para US$ 365,80 por tonelada curta. O movimento contrastou diretamente com o óleo de soja, que recuou de 69,91 para 67,68 centavos de dólar por libra-peso, queda de 3,19%.
Quando farelo e óleo caminham em direções tão diferentes, a leitura mais prudente é de ajuste na distribuição de valor dentro do processamento da soja. A alta do farelo favorece a parcela da demanda ligada à alimentação animal, enquanto a queda do óleo reduz o suporte vindo do segmento de óleos vegetais.
Para a soja brasileira, o efeito é misto. O farelo mais valorizado melhora a referência para a indústria de processamento, mas a queda do óleo retira parte desse benefício. O resultado final dependerá também do custo de aquisição do grão, da demanda doméstica e das condições de exportação.
Trigo
O trigo de Chicago para dezembro fechou a 686,50 centavos de dólar por bushel. No Brasil, a atenção permanece voltada à qualidade da safra do Sul, e não apenas ao volume colhido.
Segundo a Conab, 36,4% da área nacional estava colhida no início da semana. No Rio Grande do Sul, as primeiras áreas reforçaram sinais de redução de produtividade e qualidade. No Paraná, a condição das lavouras seguia prejudicada, enquanto o excesso de umidade dificultava a colheita e elevava a exposição dos grãos a novas chuvas. Santa Catarina também enfrentava maior risco de doenças e perdas de qualidade. (Conab)
Esse quadro mantém a qualidade do trigo como variável central para a formação dos preços brasileiros. Mesmo quando há cereal disponível, perdas de padrão podem aumentar a necessidade de lotes adequados à moagem e ampliar a importância da paridade de importação.
Câmbio e macro
O dólar encerrou a R$ 5,0061, alta de 0,58% sobre o fechamento anterior. A volta da moeda acima de R$ 5 melhora a conversão dos preços externos para reais e tende a dar sustentação às referências de exportação.
Esse apoio, porém, não ocorre de maneira uniforme. No milho, a queda em Chicago absorveu parte do efeito cambial. No complexo soja, o câmbio favoreceu o valor em reais, mas a divergência entre farelo e óleo tornou a leitura industrial menos direta.
A proximidade do relatório do USDA limita conclusões mais fortes. Mudanças nas estimativas de produtividade, produção e estoques dos Estados Unidos podem alterar rapidamente a direção dos grãos na sexta-feira.
Leitura Brasil
O plantio brasileiro de soja chegou a 9,4% da área, segundo o acompanhamento semanal da Conab. Mato Grosso avançou principalmente após chuvas no médio-norte, embora o ritmo ainda variasse conforme a umidade do solo. Goiás e Paraná também registraram progresso, enquanto interrupções pontuais ocorreram onde as chuvas foram mais intensas. (Conab)
No milho de primeira safra, 30,8% da área estava semeada. As lavouras apresentavam desenvolvimento inicial geralmente regular, mas temporais causaram danos localizados e o excesso de chuva restringiu operações em partes da Região Sul. (Conab)
A leitura doméstica, portanto, combina três forças. O dólar oferece sustentação às cotações em reais; o início da safra 2026/27 aumenta a influência do clima sobre as decisões comerciais; e a situação do trigo exige atenção especial à qualidade. Para soja e milho, a evolução das chuvas no Centro-Oeste será mais importante do que números isolados de plantio nesta etapa inicial.
O que observar na próxima sessão
- A continuidade, ou não, da alta do farelo após o avanço de 3,10%.
- A reação do óleo de soja depois da queda de 3,19%.
- O posicionamento de soja, milho e trigo antes do relatório do USDA de 9 de outubro.
- A capacidade do dólar de permanecer acima de R$ 5.
- As previsões de chuva para Mato Grosso, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul.
- O impacto da umidade sobre a qualidade do trigo no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
Fontes
Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.
