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Grãos avançam em Chicago, mas dólar limita repasse no Brasil

Soja, milho e trigo fecharam em alta em Chicago, apoiados pelo atraso da colheita norte-americana e pela piora das avaliações das lavouras. No Brasil, o dólar recuou para R$ 4,9771 e limitou parte do efeito positivo da bolsa internacional.

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Colheita mais lenta que a média nos Estados Unidos e piora das avaliações das lavouras

Grãos avançam em Chicago, mas dólar limita repasse no Brasil

Resumo executivo

Os principais grãos fecharam em alta nesta terça-feira na bolsa de Chicago. O movimento foi liderado pelo milho e pelos derivados da soja, enquanto trigo e soja também registraram ganhos relevantes. Em relação à sessão anterior, a principal mudança foi a recuperação mais ampla dos preços, mesmo diante da perspectiva de tempo mais seco no Meio-Oeste dos Estados Unidos.

O mercado reagiu ao avanço mais lento da colheita norte-americana e à piora das avaliações das lavouras. Segundo o USDA, o departamento de agricultura dos EUA, 23% do milho e 25% da soja haviam sido colhidos até 4 de outubro, ambos abaixo da média dos cinco anos anteriores. A condição considerada boa ou excelente caiu para 54% no milho e ficou em 57% na soja.

Para o produtor brasileiro, porém, a alta externa encontrou um contraponto importante no câmbio. O dólar fechou em R$ 4,9771, queda de 0,49% ante os R$ 5,0018 da sessão anterior. Uma moeda norte-americana mais barata reduz o valor em reais de uma mesma cotação internacional e, por isso, limita parte do repasse positivo de Chicago.

Soja

A soja para janeiro de 2027 fechou a US$ 13,1925 por bushel no CME Group, operador da bolsa de Chicago. A alta foi de 1,68% em relação aos US$ 12,9750 da sessão anterior.

O resultado representou uma melhora clara frente à leitura de segunda-feira. A colheita norte-americana continua avançando mais lentamente que o normal, especialmente em áreas que enfrentaram excesso de umidade. Isso reduz, por enquanto, a pressão sazonal causada pela entrada da nova safra e mantém o mercado atento aos relatos de produtividade.

Ao mesmo tempo, as previsões de tempo mais seco para parte do Meio-Oeste podem permitir uma aceleração dos trabalhos nos próximos dias. Assim, a alta desta terça-feira não elimina o risco de maior pressão vendedora quando o ritmo da colheita ganhar força e um volume maior de soja chegar ao mercado.

No Brasil, o movimento da bolsa foi favorável, mas a queda do dólar diminuiu seu efeito sobre a formação dos preços em reais. A referência externa subiu cerca de 22 centavos de dólar por bushel, mas a moeda norte-americana voltou a ficar abaixo de R$ 5. O resultado é uma sustentação internacional mais forte, porém com transmissão apenas parcial para o mercado doméstico.

Milho

O milho para dezembro de 2026 fechou a US$ 5,08 por bushel, avanço de 2,16% diante dos US$ 4,9725 do pregão anterior. Entre os grãos acompanhados, foi uma das altas mais expressivas do dia.

O cereal recuperou o patamar de US$ 5 por bushel após uma sequência marcada por pressão da colheita e pelo peso dos estoques norte-americanos. O USDA informou no fim de setembro que os estoques de milho dos Estados Unidos em 1º de setembro somavam 2,10 bilhões de bushels, 35% acima do volume registrado um ano antes. Esse dado continua sendo um fator de cautela para altas mais prolongadas.

Nesta sessão, contudo, prevaleceu a leitura de que a colheita ainda está atrasada. O avanço de 23% ficou abaixo da média de 27% para o período, enquanto a parcela das lavouras em condição boa ou excelente recuou três pontos percentuais em uma semana. O mercado passou a exigir mais informações sobre produtividade antes de ampliar novamente a pressão sobre os preços.

Para o Brasil, Chicago oferece sustentação, mas o câmbio reduz o impulso. Além disso, o mercado doméstico continua sensível à disponibilidade regional, ao ritmo das exportações e à demanda das indústrias de ração e etanol.

Farelo e óleo de soja

O farelo de soja para dezembro de 2026 fechou a US$ 354,80 por tonelada curta, alta de 2,22% frente aos US$ 347,10 da sessão anterior. O avanço superior ao do grão mostra que o mercado encontrou apoio também na demanda pelos produtos resultantes do processamento da soja.

O óleo de soja para dezembro terminou a 69,91 centavos de dólar por libra-peso, ganho de 0,81% ante 69,35 centavos. Foi uma alta mais moderada que a observada no farelo, mas suficiente para completar uma sessão positiva em todo o complexo da soja.

Essa combinação reforça a sustentação da margem teórica das indústrias de processamento. Ainda assim, o óleo permanece particularmente sensível às oscilações do petróleo, às políticas de biocombustíveis e à concorrência de outros óleos vegetais no mercado internacional.

Trigo

O trigo de inverno vermelho macio para março de 2027, negociado em Chicago, fechou a US$ 7,1750 por bushel. O contrato avançou 1,59% em relação aos US$ 7,0625 da sessão anterior.

O cereal acompanhou a recuperação dos demais grãos. O plantio do trigo de inverno nos Estados Unidos segue como um ponto de atenção, enquanto o mercado internacional continua monitorando os fluxos de exportação e os riscos envolvendo fornecedores do Mar Negro.

No Brasil, a alta externa oferece algum apoio à paridade de importação, mas o dólar mais baixo atua na direção contrária. Para os moinhos, uma moeda brasileira mais firme reduz o custo dos carregamentos importados. Para o produtor nacional, isso pode limitar o espaço de valorização justamente durante o avanço da colheita no Sul.

Câmbio e macro

O dólar recuou de R$ 5,0018 para R$ 4,9771, queda de 0,49%. A mudança foi relevante porque ocorreu ao mesmo tempo em que Chicago avançou entre 0,81% e 2,22% nos contratos analisados.

Em termos práticos, a valorização do real absorveu parte da alta internacional. Esse efeito é especialmente importante para soja, milho e trigo, cujos preços domésticos mantêm relação direta com exportação ou importação. Se o dólar permanecer abaixo de R$ 5, Chicago precisará continuar avançando para produzir o mesmo impacto em reais observado quando a moeda norte-americana estava mais valorizada.

Leitura Brasil

A leitura para o mercado brasileiro é equilibrada. Chicago voltou a oferecer sustentação, mas o câmbio impediu uma melhora proporcional das referências em reais. A soja recebeu o impulso mais claro da bolsa, enquanto o milho encontrou apoio depois de recuperar US$ 5 por bushel.

A perspectiva da Conab para 2026/27 aponta produção brasileira de soja de 181,64 milhões de toneladas e safra total de milho próxima de 148 milhões. O tamanho dessas projeções mantém o clima no centro das atenções. Nesta etapa, o foco está na evolução do plantio de soja, na implantação do milho de verão e na regularidade das chuvas nas principais regiões produtoras.

Para o trigo, a combinação entre colheita nacional, qualidade dos lotes e custo de importação continuará determinando as diferenças regionais. A alta de Chicago ajuda, mas o real mais valorizado torna o produto importado relativamente mais competitivo.

O que observar na próxima sessão

  • A reação dos preços após a alta generalizada desta terça-feira.
  • A velocidade da colheita de soja e milho nos Estados Unidos com a previsão de tempo mais seco.
  • Novos relatos de produtividade no Meio-Oeste norte-americano.
  • A capacidade do milho de permanecer acima de US$ 5 por bushel.
  • O comportamento do dólar após o fechamento abaixo de R$ 5.
  • O ritmo do plantio da soja e das chuvas no Brasil.
  • A evolução do trigo no Sul e a relação entre preços domésticos e custo de importação.

Fontes

Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.