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Trigo ganha suporte no Mar Negro; milho segue pressionado no Brasil

O trigo encontrou suporte nas dificuldades para normalizar o fluxo pelo Mar Negro, enquanto o milho permaneceu condicionado pelos estoques elevados nos Estados Unidos. A soja fechou acima de US$ 12,80 por bushel, com atenção à colheita norte-americana e ao início da nova safra brasileira.

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Risco ao fluxo de trigo pelo Mar Negro, em contraste com a pressão dos estoques elevados de milho nos Estados Unidos.

Trigo ganha suporte no Mar Negro; milho segue pressionado no Brasil

Resumo executivo

Os mercados agrícolas terminaram a sessão com sinais distintos. O trigo recebeu suporte das dificuldades para normalizar o transporte de grãos pelo Mar Negro, região relevante para o comércio mundial do cereal. O milho continuou mais vulnerável à oferta elevada nos Estados Unidos, enquanto a soja permaneceu entre a sustentação dos estoques norte-americanos mais apertados e a pressão sazonal da colheita.

Na bolsa de Chicago, administrada pelo CME Group, a soja para novembro fechou a 1.280,75 centavos de dólar por bushel, equivalente a US$ 12,8075 por bushel. O milho para dezembro terminou a 497,25 centavos, ou US$ 4,9725 por bushel. O trigo de Chicago para dezembro fechou a 692,25 centavos, equivalente a US$ 6,9225 por bushel.

No complexo soja, o farelo para dezembro encerrou a US$ 347,10 por tonelada curta, e o óleo de soja do mesmo vencimento fechou a 69,35 centavos de dólar por libra-peso. No câmbio, o dólar ficou em R$ 5,0018.

Soja

A soja fechou acima de US$ 12,80 por bushel, mas o mercado continua dividido entre fatores de sustentação e de pressão. De um lado, os estoques norte-americanos de soja em 1º de setembro ficaram 3% abaixo do volume registrado um ano antes, segundo o USDA, o departamento de agricultura dos Estados Unidos. Esse quadro limita a percepção de sobra imediata no balanço.

De outro, a entrada da nova safra norte-americana mantém compradores atentos à oferta física das próximas semanas. O relatório de progresso divulgado pelo USDA após o encerramento da sessão mostrou que 25% da área de soja havia sido colhida até 4 de outubro, ante 17% na semana anterior e média de 33% para o período. A colheita, portanto, avançou, mas seguia atrás do ritmo médio dos cinco anos anteriores. (USDA)

Para a próxima sessão, esse atraso relativo pode oferecer algum suporte, embora a avaliação do mercado dependa também dos rendimentos observados nas lavouras e das novas projeções de produção. A demanda externa, especialmente da China, continuará sendo importante para definir se a soja consegue sustentar preços acima do patamar atual.

Milho

O milho permaneceu como o elo mais pressionado entre os grãos. O principal peso continua sendo a disponibilidade norte-americana. O USDA informou em 30 de setembro que os estoques de milho em 1º de setembro somavam 2,10 bilhões de bushels, aumento de 35% na comparação anual. Esse volume ampliou a percepção de oferta confortável no começo da nova temporada comercial. (USDA)

A colheita também avançou. Até 4 de outubro, 23% da área norte-americana havia sido colhida, contra 18% na semana anterior. O ritmo permanecia abaixo da média de 27%, mas a chegada progressiva do cereal ao mercado tende a manter a oferta no centro das negociações. (USDA)

Para o produtor brasileiro, Chicago abaixo de US$ 5 por bushel limita parte do suporte externo. A formação do preço doméstico dependerá mais diretamente do comportamento do dólar, da disponibilidade regional e do ritmo das exportações brasileiras.

Farelo e óleo de soja

O farelo de soja fechou a US$ 347,10 por tonelada curta. O mercado continua acompanhando o equilíbrio entre a procura por proteína para alimentação animal e a oferta gerada pelo processamento da soja nos Estados Unidos e na América do Sul.

O óleo de soja encerrou a 69,35 centavos de dólar por libra-peso. Nesse mercado, além do comportamento da soja em grão, pesam as expectativas para a demanda de biocombustíveis e a relação de preços com outros óleos vegetais e com a energia.

A combinação dos fechamentos sugere um complexo soja ainda sustentado, mas sem uma direção única. O comportamento do esmagamento e das margens das indústrias será importante para definir qual derivado exercerá maior influência sobre o grão nas próximas sessões.

Trigo

O trigo foi o mercado com suporte mais claro. As dificuldades para restabelecer um fluxo regular de cargas pelo Mar Negro elevaram a preocupação com a disponibilidade exportável de uma região central para o comércio mundial. A Reuters informou que a falta de progresso nas negociações para normalizar o transporte marítimo ajudou o cereal a se recuperar das mínimas observadas na semana anterior. (Business Recorder)

O quadro norte-americano também oferece algum contraponto à ampla oferta de milho. Os estoques de trigo dos Estados Unidos em 1º de setembro somavam 1,85 bilhão de bushels, cerca de 14% abaixo do registrado um ano antes, segundo o USDA. (USDA)

No Brasil, a atenção permanece voltada à qualidade e ao tamanho da safra doméstica. A Conab projeta produção de 5,74 milhões de toneladas em 2025/26, queda de 27,1% em relação ao ciclo anterior, com importações estimadas em 7,06 milhões de toneladas. A menor oferta interna aumenta a importância do câmbio e da paridade de importação para a formação dos preços nacionais. (Conab)

Câmbio e macro

O dólar em R$ 5,0018 deixa o câmbio próximo de uma referência psicológica importante para o mercado brasileiro. Para soja, milho e trigo, a moeda norte-americana influencia tanto a competitividade das exportações quanto o custo das importações.

Um dólar mais firme tende a favorecer a conversão dos preços internacionais para reais e a oferecer sustentação aos produtos exportáveis. No trigo, porém, também eleva o custo de internalização do cereal estrangeiro. Com a moeda junto de R$ 5,00, alterações relativamente pequenas no câmbio podem fazer diferença nas decisões comerciais do produtor e da indústria.

Leitura Brasil

O cenário brasileiro combina o começo da safra 2026/27 com a conclusão das culturas de inverno. A Conab informou no fim de setembro que as chuvas favoreceram o início da semeadura de soja em áreas de Mato Grosso do Sul e Paraná, além de permitirem o avanço do milho de primeira safra. Ao mesmo tempo, o excesso de umidade trouxe preocupação para a qualidade do trigo em partes da Região Sul. (Conab)

Para a soja, o ponto central passa a ser a regularidade das chuvas no Centro-Oeste e no Sul. Uma implantação sem atrasos reduz o risco sobre a janela do milho de segunda safra. Para o trigo, a prioridade é acompanhar se a umidade continuará afetando a colheita e a qualidade industrial dos grãos.

Com Chicago apresentando direções diferentes e o dólar próximo de R$ 5,00, o mercado brasileiro tende a permanecer seletivo. O trigo encontra suporte em riscos de oferta, enquanto o milho precisa de demanda mais forte para neutralizar a pressão dos estoques norte-americanos. A soja ocupa uma posição intermediária, sustentada pelo balanço menos folgado, mas exposta à entrada da colheita dos Estados Unidos.

O que observar na próxima sessão

  • A reação do mercado aos números de colheita de soja e milho divulgados pelo USDA.
  • Novas informações sobre o transporte de trigo e a segurança das rotas do Mar Negro.
  • O comportamento do dólar ao redor de R$ 5,00.
  • Os rendimentos iniciais da colheita norte-americana.
  • A distribuição das chuvas e o avanço do plantio de soja e milho no Brasil.
  • As expectativas para os relatórios de produção do USDA previstos para 9 de outubro.

Fontes

  • CME Group — preços de fechamento e calendário de negociação.
  • USDA — estoques e progresso das lavouras nos Estados Unidos.
  • Conab — safra e condições das lavouras brasileiras.
  • Banco Central do Brasil — referência do mercado de câmbio.
  • Reuters — contexto do comércio internacional de trigo.

Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.