Soja recua, trigo avança e dólar reforça sustentação no Brasil
A soja e seus derivados recuaram em Chicago, pressionados pela entrada da safra norte-americana e pelas dúvidas sobre a demanda. O trigo avançou, enquanto a alta do dólar ajudou a amortecer o impacto externo para os preços no Brasil.
Pressão da colheita norte-americana sobre a soja, em contraste com a alta do trigo e a valorização do dólar diante do real.
Soja recua, trigo avança e dólar reforça sustentação no Brasil
Resumo executivo
A soja e seus derivados fecharam em queda na bolsa de Chicago nesta quinta-feira. O contrato de novembro da oleaginosa recuou 0,70%, para US$ 12,84 por bushel, com o mercado concentrado na entrada da safra norte-americana, nas dúvidas sobre a demanda de exportação e na redução de posições compradas por investidores.
O trigo seguiu a direção oposta e avançou 1,04%, apoiado por uma oferta norte-americana menor. No milho, uma reação na parte final do pregão permitiu recuperação, mas o volume elevado de estoques nos Estados Unidos continuou limitando uma alta mais consistente.
Para o mercado brasileiro, a principal mudança em relação à sessão anterior veio do câmbio. O dólar subiu para R$ 5,2237, alta de 0,98%, oferecendo proteção parcial aos preços convertidos em reais diante da queda da soja e dos derivados em Chicago.
Soja
A soja para novembro fechou a US$ 12,84 por bushel, ante US$ 12,93 na sessão anterior. A perda de 0,70% manteve a oleaginosa sob pressão no início de outubro, com o avanço da colheita dos Estados Unidos aumentando a disponibilidade física no mercado.
Além da pressão sazonal da colheita, operadores acompanharam as incertezas sobre o ritmo das exportações norte-americanas. A combinação entre oferta nova e dúvidas sobre a demanda pesou mais do que o dado de estoques divulgado pelo USDA, o departamento de agricultura dos Estados Unidos. Segundo o órgão, os estoques de soja em 1º de setembro ficaram 3% abaixo dos registrados um ano antes. (USDA)
A leitura da sessão foi, portanto, mais negativa do que a do dia anterior para a soja. O mercado deixou em segundo plano o estoque menor da safra antiga e voltou sua atenção para o volume que começa a chegar aos armazéns. Para o Brasil, a queda externa foi parcialmente compensada pelo dólar mais alto, reduzindo a pressão imediata sobre a conversão dos preços para reais.
Milho
O milho passou boa parte do pregão pressionado, ainda refletindo o relatório de estoques publicado na quarta-feira. O USDA estimou 2,10 bilhões de bushels armazenados em 1º de setembro, volume 35% superior ao registrado na mesma data de 2025. Desse total, 787 milhões de bushels estavam nas propriedades rurais e 1,31 bilhão em estruturas fora das fazendas. (USDA)
Esse número reforçou a percepção de oferta confortável no início do novo ano comercial norte-americano. Mesmo assim, compras no fim da sessão permitiram que o milho encerrasse em alta, recuperando parte das perdas observadas durante o dia. A mudança em relação à leitura anterior foi essa capacidade de reação, embora o estoque elevado continue funcionando como um limite para avanços mais fortes. (Mint)
No Brasil, o câmbio mais favorável ao exportador oferece algum suporte, mas o cenário internacional recomenda cautela. Para uma valorização mais consistente, o mercado precisará enxergar absorção desse excedente por exportações, produção de etanol ou alimentação animal.
Farelo e óleo de soja
Os derivados acompanharam a fraqueza da soja. O farelo de soja para dezembro fechou a US$ 353,30 por tonelada curta, queda de 1,01% em relação aos US$ 356,90 da sessão anterior. O óleo de soja para dezembro recuou 1,32%, de 68,28 para 67,38 centavos de dólar por libra-peso.
A queda simultânea dos dois produtos mostra que a pressão não ficou restrita ao grão. No farelo, o mercado continuou avaliando a demanda para alimentação animal e a disponibilidade de produto com a entrada da safra. No óleo, a sessão também refletiu a redução mais ampla do valor do complexo soja.
Depois do encerramento do pregão, o USDA informou que as indústrias norte-americanas processaram 209,6 milhões de bushels de soja em agosto, abaixo da média esperada pelo mercado. Como a divulgação ocorreu após o fechamento, a reação a esse número deverá aparecer com mais clareza na próxima sessão. (Mint)
Trigo
O trigo de inverno negociado em Chicago para dezembro fechou a US$ 6,8275 por bushel, avanço de 1,04% sobre os US$ 6,7575 da quarta-feira. Foi o movimento mais firme entre os grãos acompanhados, ampliando a diferença de comportamento em relação à soja e aos derivados.
A sustentação veio de fundamentos de oferta mais restritos. O USDA estimou a produção total norte-americana de trigo em 1,53 bilhão de bushels em 2026, queda de 23% diante do total revisado de 2025. Os estoques em 1º de setembro somaram 1,85 bilhão de bushels, 14% abaixo do volume de um ano antes. Uma licitação de importação anunciada pela Arábia Saudita também ajudou a melhorar a percepção sobre a demanda internacional. (USDA)
Para o trigo brasileiro, a alta em Chicago e a valorização do dólar apontam para maior sustentação da paridade de importação. O efeito sobre os preços internos dependerá também da evolução da colheita nacional, da qualidade do cereal e da oferta argentina.
Câmbio e macro
O dólar encerrou a R$ 5,2237, avanço de 0,98% sobre a referência anterior de R$ 5,1730. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana diante de uma cesta de seis divisas, avançava 0,53%, aos 102,04 pontos no fim da tarde.
O fortalecimento global do dólar refletiu a busca por proteção diante das preocupações com a guerra no Oriente Médio. No Brasil, a proximidade das eleições também elevou a cautela dos investidores. O movimento foi uma mudança importante em relação à quarta-feira, quando a moeda norte-americana havia perdido valor diante do real. (UOL Economia)
Para as commodities agrícolas brasileiras, dólar mais alto costuma elevar o valor em reais de uma mesma cotação internacional. Nesta sessão, esse efeito foi especialmente relevante para soja, farelo e óleo, pois amortizou parte das perdas registradas em Chicago.
Leitura Brasil
A sessão deixou sinais mistos para o produtor e para o comprador brasileiro. A soja perdeu força no mercado internacional, mas o câmbio reduziu o impacto negativo sobre a formação doméstica. No milho, o estoque elevado dos Estados Unidos trouxe cautela, embora a recuperação no fim do pregão e a valorização do dólar tenham evitado uma leitura totalmente negativa.
O trigo apresentou a combinação externa mais favorável, com alta em Chicago e dólar mais forte. Para moinhos e importadores, isso representa maior atenção aos custos de reposição. Para vendedores, a sustentação internacional melhora a referência, mas a qualidade e a disponibilidade regional continuarão determinantes nas negociações.
Em comparação com a sessão anterior, a principal novidade foi a separação mais clara entre os mercados: soja e derivados recuaram, o trigo avançou e o câmbio passou a oferecer apoio mais forte às cotações brasileiras.
O que observar na próxima sessão
- A reação ao volume de soja processado nos Estados Unidos em agosto.
- O ritmo da colheita norte-americana e seus efeitos sobre a oferta física.
- Novos sinais de demanda chinesa por soja dos Estados Unidos.
- A capacidade do milho de sustentar a recuperação diante dos estoques elevados.
- A continuidade da alta do trigo após os números menores de produção norte-americana.
- O comportamento do dólar diante do cenário geopolítico e da cautela eleitoral no Brasil.
Fontes
Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.
