Soja avança com demanda chinesa e dólar recua no Brasil
A soja avançou 0,27% e o milho subiu 0,14% na Bolsa de Chicago, enquanto o trigo encerrou em queda. No Brasil, o recuo do dólar reduziu parte do apoio externo aos preços em reais.
Equilíbrio entre sinais de demanda chinesa por soja dos Estados Unidos e pressão da colheita norte-americana
Soja avança com demanda chinesa e dólar recua no Brasil
Resumo executivo
A soja terminou a sexta-feira em alta moderada na CME, a bolsa de Chicago, sustentada por sinais recentes de compras chinesas, embora o avanço da colheita nos Estados Unidos continue limitando movimentos mais fortes. O contrato de novembro de 2026 fechou a 1.319,75 centavos de dólar por bushel, alta de 0,27% ante a sessão anterior.
O milho também avançou, mas com pouca intensidade. O contrato de dezembro encerrou a 528,25 centavos de dólar por bushel, ganho de 0,14%. Nos derivados da soja, o óleo subiu e o farelo recuou levemente, mostrando que o apoio não foi uniforme dentro do complexo.
O trigo seguiu na direção contrária e perdeu 0,45% no contrato de março de 2027. No Brasil, o dólar recuou de R$ 5,1937 para R$ 5,1847, uma queda de 0,17%, diminuindo parte do efeito positivo da alta da soja em Chicago sobre os preços convertidos para reais.
Soja
A soja para novembro de 2026 ganhou 3,50 centavos de dólar por bushel e fechou a 1.319,75 centavos. Foi uma alta pequena, mas suficiente para manter a oleaginosa mais firme do que milho e trigo no encerramento da semana.
O mercado continua dividido entre duas forças. De um lado, a colheita norte-americana amplia a oferta disponível e tende a pressionar os preços durante esta época do ano. De outro, novas compras da China ajudam a sustentar as cotações. O USDA, o departamento de agricultura dos Estados Unidos, informou em 24 de setembro uma venda de 120 mil toneladas de soja norte-americana para a China, com entrega prevista no ciclo comercial 2026/27. (USDA)
A expectativa em torno do comércio entre Estados Unidos e China também permaneceu no radar. Segundo a Reuters, representantes do setor agrícola norte-americano buscavam compromissos mais claros de Pequim para ampliar as compras de produtos dos Estados Unidos. A possibilidade de novos negócios oferece suporte à soja, mas o mercado ainda espera resultados concretos antes de incorporar um cenário mais otimista. (MarketScreener)
Para o produtor brasileiro, a alta em Chicago foi parcialmente compensada pela valorização do real. Com o dólar em queda, cada dólar recebido nas exportações representa uma quantidade ligeiramente menor de reais. Assim, a combinação do dia foi positiva para a referência internacional, mas menos favorável quando convertida para a moeda brasileira.
Milho
O milho para dezembro de 2026 fechou a 528,25 centavos de dólar por bushel, avanço de 0,75 centavo em relação aos 527,50 centavos da sessão anterior. A variação de 0,14% mostra um mercado praticamente estável.
Nos Estados Unidos, a entrada da nova safra mantém a oferta no centro das atenções. A demanda externa e o desempenho da produção de etanol podem oferecer sustentação, mas precisam absorver um volume maior de cereal durante o período de colheita.
No Brasil, o quadro segue marcado por uma oferta ampla. A Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, estima a produção total de milho da safra 2025/26 em 144 milhões de toneladas, resultado recorde e superior ao projetado anteriormente. A estatal também destacou o consumo interno ligado à produção de ração e ao etanol de cereais como componentes importantes da demanda brasileira. (Conab)
Para 2026/27, a perspectiva inicial da Conab aponta produção próxima de 148 milhões de toneladas. O potencial efetivo dependerá do clima e do calendário de plantio, especialmente porque o desenvolvimento da segunda safra está diretamente ligado ao ritmo da semeadura e da colheita da soja. (Conab)
Farelo e óleo de soja
Os derivados da soja tiveram movimentos opostos. O farelo para dezembro fechou a US$ 370,60 por tonelada curta, queda de US$ 0,60, ou 0,16%, frente à sessão anterior. O óleo de soja para dezembro avançou 0,29 centavo e terminou a 67,84 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,43%.
Essa diferença sugere que o suporte à soja veio com participação mais forte do óleo. Para o mercado brasileiro, a valorização do óleo é relevante porque influencia a receita das indústrias de esmagamento e mantém o setor de biocombustíveis no foco. Já o recuo do farelo limita parte desse benefício, especialmente para empresas cuja remuneração depende mais da venda do ingrediente destinado à alimentação animal.
A leitura conjunta é de sustentação moderada para o complexo soja, sem um avanço generalizado entre todos os produtos.
Trigo
O trigo para março de 2027 fechou a 718,25 centavos de dólar por bushel, queda de 3,25 centavos, equivalente a 0,45%. O cereal foi o destaque negativo entre os grãos acompanhados.
As expectativas relacionadas às exportações do Mar Negro voltaram a pesar sobre o mercado. A possibilidade de maior circulação de trigo da Rússia e da Ucrânia aumenta a concorrência no comércio internacional e reduz o espaço para altas nos contratos norte-americanos. A Reuters também destacou que o trigo caminhava para uma nova perda semanal diante das expectativas de retomada dos embarques pela região. (Business Recorder)
No Brasil, o contexto é diferente. A Conab estima a produção nacional da safra 2025/26 em 5,7 milhões de toneladas, queda de 27,1% em relação ao ciclo anterior, principalmente pela redução da área plantada. Esse recuo restringe a disponibilidade doméstica e mantém o país dependente das condições de importação, especialmente da oferta argentina e da taxa de câmbio. (Conab)
Assim, a baixa em Chicago exerce pressão externa, mas o menor volume brasileiro e as necessidades de importação ajudam a limitar uma transmissão direta para o mercado interno.
Câmbio e macro
A referência do dólar encerrou a R$ 5,1847, abaixo dos R$ 5,1937 da sessão anterior. A valorização de 0,17% do real teve impacto moderadamente negativo sobre a formação dos preços agrícolas no Brasil.
Para soja, milho e trigo, o câmbio funciona como uma ponte entre os valores internacionais e o mercado doméstico. Quando o dólar recua, altas em Chicago precisam ser mais intensas para produzir o mesmo ganho em reais. Foi justamente o que ocorreu com a soja nesta sessão: Chicago avançou, mas o câmbio reduziu parte do apoio.
Leitura Brasil
A sessão trouxe uma combinação pouco direcional para o mercado brasileiro. A soja recebeu suporte externo, mas o dólar mais baixo limitou a melhora em reais. O milho teve variação pequena em Chicago e continua inserido em um ambiente doméstico de oferta elevada, ainda que o consumo para ração e etanol permaneça relevante.
No trigo, a pressão internacional contrasta com uma safra brasileira menor. Essa diferença entre o cenário externo e a disponibilidade doméstica tende a manter a formação de preços mais ligada ao câmbio, à Argentina e à paridade de importação.
A perspectiva da Conab para 2026/27 reforça a expectativa de outra grande safra brasileira, com 181,64 milhões de toneladas de soja e produção de milho próxima de 148 milhões. O crescimento projetado aumenta a importância do clima e do ritmo das exportações para definir o equilíbrio de preços nos próximos meses. (Conab)
O que observar na próxima sessão
- Novos anúncios de vendas de soja norte-americana para a China.
- Avanço da colheita de soja e milho nos Estados Unidos.
- Evolução do diálogo comercial entre Washington e Pequim.
- Comportamento do dólar frente ao real.
- Condições de plantio da safra brasileira de soja 2026/27.
- Perspectivas para exportações de trigo da Rússia, Ucrânia e Argentina.
Fontes
- CME Group: preços de fechamento e calendário de negociação.
- USDA: vendas externas e comércio agrícola dos Estados Unidos.
- Conab: estimativas das safras brasileiras de soja, milho e trigo.
- Banco Central do Brasil e mercado de câmbio: referência do dólar frente ao real.
- Reuters: contexto do comércio entre Estados Unidos e China e do mercado internacional de trigo.
Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.
