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Soja recua levemente, dólar avança e dá suporte ao mercado brasileiro

A soja terminou a sessão com leve baixa em Chicago, enquanto o dólar subiu 0,59% frente ao real. A falta de novos compromissos agrícolas concretos entre Estados Unidos e China limitou o apetite por risco, com pressão também sobre óleo de soja e trigo.

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Ausência de novos compromissos agrícolas concretos entre Estados Unidos e China durante a sessão

Soja recua levemente, dólar avança e dá suporte ao mercado brasileiro

Resumo executivo

A soja fechou esta quinta-feira com leve baixa em Chicago, em uma sessão marcada pela expectativa em torno das conversas entre Estados Unidos e China. O encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping manteve o comércio agrícola no centro das atenções, mas não trouxe, durante o horário de negociação, novos compromissos capazes de estimular uma alta dos grãos.

O contrato de novembro da soja terminou a 1.316,25 centavos de dólar por bushel, queda de 0,13% em relação ao pregão anterior. O milho para dezembro fechou a 527,50 centavos por bushel, enquanto o trigo de dezembro recuou 0,39%, para 705,75 centavos.

No complexo da soja, o farelo avançou modestamente, mas o óleo voltou a perder valor. No Brasil, o principal contraponto ao desempenho externo foi o câmbio: o dólar subiu 0,59% e fechou a R$ 5,1937, movimento que melhora a conversão dos preços internacionais para reais e reduz parte da pressão sobre as referências domésticas.

Soja

A soja de novembro fechou a 1.316,25 centavos de dólar por bushel, equivalente a US$ 13,1625 por bushel. A variação de 0,13% foi pequena, mas confirmou a dificuldade do mercado em ampliar os ganhos sem uma novidade mais concreta pelo lado da demanda chinesa.

A China permaneceu como o tema dominante. Antes do encontro presidencial, produtores e entidades agrícolas norte-americanas pressionavam por compras adicionais e pela redução de barreiras comerciais, segundo a Reuters. O país asiático já havia assumido compromissos de compra, mas o mercado buscava sinais de volumes adicionais ou de execução mais rápida desses acordos.

O USDA, o departamento de agricultura dos Estados Unidos, registrou vendas semanais de 582,4 mil toneladas de soja da safra 2026/27 no período encerrado em 17 de setembro. Também houve o registro de uma venda diária de 120 mil toneladas para a China. Os negócios confirmam a presença chinesa, mas não alteraram de forma decisiva a percepção dos participantes nesta sessão.

A leitura predominante no fechamento foi de cautela. Conforme relatado pela Dow Jones, as conversas entre os dois países ainda não produziram uma novidade agrícola suficientemente clara para provocar uma reação mais forte das cotações.

Milho

O milho de dezembro fechou a 527,50 centavos de dólar por bushel, ou US$ 5,2750 por bushel. O cereal acompanhou o ambiente mais defensivo observado entre os grãos, com os participantes avaliando tanto o ritmo da colheita norte-americana quanto a demanda externa.

As vendas semanais dos Estados Unidos ficaram na parte inferior das expectativas acompanhadas pelo mercado. Além disso, a China ainda não assumiu papel relevante nas compras de milho norte-americano da atual temporada, o que reduz o impacto imediato das negociações comerciais entre Washington e Pequim sobre esse produto.

O clima continua como um fator secundário. Chuvas fortes em áreas do Meio-Oeste norte-americano podem atrasar temporariamente a retirada do milho das lavouras, mas esse risco ainda precisa ser acompanhado antes de justificar uma mudança mais ampla na avaliação da oferta.

Farelo e óleo de soja

O farelo de soja para dezembro fechou a US$ 371,20 por tonelada curta, alta de 0,16% frente aos US$ 370,60 da sessão anterior. O avanço moderado diferenciou o farelo do restante do complexo e ajudou a limitar a pressão sobre a margem de processamento da soja.

O óleo de soja de dezembro seguiu na direção oposta. O contrato terminou a 67,55 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,38%. A diferença entre os dois derivados mostra que o mercado continuou favorecendo o farelo, enquanto o óleo encontrou maior resistência para sustentar preços.

Para o Brasil, essa divisão importa porque o valor da soja não depende apenas do grão em Chicago. O desempenho dos derivados influencia a capacidade de pagamento das indústrias e, consequentemente, a disputa pela matéria-prima no mercado interno.

Trigo

O trigo de inverno negociado em Chicago, referência para variedades de moagem mais macias, fechou dezembro a 705,75 centavos de dólar por bushel, queda de 0,39% ante os 708,50 centavos do pregão anterior.

O mercado permaneceu dividido entre a pressão exercida pela oferta global e os riscos logísticos na região do Mar Negro. A continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia mantém o transporte de grãos sujeito a interrupções, mas esse risco não foi suficiente para sustentar Chicago nesta quinta-feira.

No Brasil, a atenção segue voltada à evolução da colheita, à qualidade do cereal e ao custo de importação. A Conab estima redução da produção brasileira de trigo na safra 2025/26 em comparação com o ciclo anterior, cenário que mantém a Argentina e o câmbio como referências importantes para a formação dos preços internos.

Câmbio e macro

O dólar fechou a R$ 5,1937, alta de 0,59% frente aos R$ 5,1634 da sessão anterior. Para os produtores brasileiros, a valorização da moeda norte-americana compensou parte das quedas observadas em Chicago, especialmente na soja, no óleo e no trigo.

A relação comercial entre Estados Unidos e China continuou sendo o principal tema macroeconômico para os grãos. A S&P Global informou que os dois países estenderam a trégua comercial até 10 de janeiro de 2027. A medida reduz o risco de uma escalada imediata, mas a reação dos produtos agrícolas depende da confirmação de compras e da retirada efetiva de barreiras.

Leitura Brasil

A combinação do dia foi de Chicago levemente mais fraca e dólar mais alto. Para a soja brasileira, esses movimentos atuaram em sentidos opostos e resultaram em um cenário mais equilibrado do que a queda externa isoladamente sugeriria.

No milho, a formação dos preços domésticos continua mais ligada à disponibilidade regional, à demanda de consumo e exportação e às perspectivas para o plantio da safra de verão. A oferta brasileira permanece elevada: a Conab estimou produção recorde de soja e milho no ciclo 2025/26, parte de uma colheita total de grãos calculada em 361,7 milhões de toneladas.

Para o trigo, a valorização do dólar aumenta o custo de reposição do produto importado e pode oferecer sustentação às cotações nacionais, principalmente nas regiões consumidoras dependentes do cereal argentino. Ainda assim, qualidade, ritmo da colheita no Sul e preços na Argentina serão determinantes para essa relação.

O que observar na próxima sessão

  • Eventuais anúncios agrícolas após as reuniões entre Estados Unidos e China.
  • Novas compras chinesas de soja norte-americana e o ritmo de cumprimento dos compromissos existentes.
  • Comportamento do dólar após a alta desta quinta-feira.
  • Condições de colheita de soja e milho nos Estados Unidos.
  • Evolução do óleo de soja diante dos mercados de energia e biocombustíveis.
  • Clima, qualidade e avanço da colheita de trigo no Sul do Brasil.

Fontes

Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.