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Milho e trigo recuam com avanço da colheita nos EUA e dólar mais fraco no Brasil

Milho, trigo e óleo de soja devolveram parte dos ganhos da sessão anterior, pressionados pelo avanço da colheita norte-americana. A soja oscilou pouco antes da reunião entre Estados Unidos e China, enquanto o dólar recuou para R$ 5,1027.

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Avanço da colheita norte-americana e cautela antes da reunião entre Estados Unidos e China

Milho e trigo recuam com avanço da colheita nos EUA e dólar mais fraco no Brasil

Resumo executivo

Os mercados agrícolas passaram por uma correção nesta terça-feira, depois da alta mais forte registrada na sessão anterior. Milho, trigo e óleo de soja recuaram na bolsa de Chicago, enquanto a soja permaneceu próxima da estabilidade e o farelo avançou.

A entrada da nova safra nos Estados Unidos voltou a pesar principalmente sobre o milho. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que 13% da área norte-americana de milho e 12% da área de soja estavam colhidas até 20 de setembro, ambos acima das respectivas médias dos últimos cinco anos. (USDA)

Ao mesmo tempo, o mercado evitou movimentos mais fortes na soja antes da reunião prevista para quinta-feira entre os presidentes dos Estados Unidos e da China. A expectativa é que o comércio agrícola faça parte das conversas, mas os preços desta terça refletiram cautela, e não uma confirmação de novas compras chinesas. (Business Recorder)

No Brasil, o dólar recuou para R$ 5,1027, ante R$ 5,1069 na sessão anterior. A combinação de Chicago predominantemente negativo e câmbio um pouco mais baixo reduziu o suporte externo para as referências domésticas.

Soja

A soja para novembro de 2026 fechou a 1.325,50 centavos de dólar por bushel, equivalente a US$ 13,2550 por bushel. A queda foi de 2,50 centavos, ou 0,19%, em relação à sessão anterior.

O movimento foi pequeno quando comparado às perdas observadas no milho, no trigo e no óleo de soja. Isso mostra que a expectativa envolvendo a demanda chinesa ainda oferece algum apoio à oleaginosa, mesmo com a colheita avançando nos Estados Unidos.

Segundo o USDA, 12% da soja norte-americana estava colhida até domingo, acima dos 8% observados no mesmo período de 2025 e também acima da média de 8% dos cinco anos anteriores. A queda das folhas atingia 62% das lavouras, contra média histórica de 58%. (USDA)

Em comparação com a sessão anterior, a principal mudança foi a perda de força do movimento de alta. O mercado passou a exigir sinais concretos de compras antes de ampliar novamente os ganhos. Até que haja uma definição nas negociações entre Washington e Pequim, a tendência é de maior sensibilidade a cada notícia sobre tarifas e comércio agrícola.

Milho

O milho para dezembro de 2026 fechou a 536,75 centavos de dólar por bushel, ou US$ 5,3675 por bushel. A baixa diária foi de 6,50 centavos, equivalente a 1,20%.

Foi uma devolução parcial do avanço registrado na segunda-feira. A colheita norte-americana atingiu 13% da área, acima dos 11% da média dos últimos cinco anos. Além disso, 58% do milho já estava maduro, três pontos percentuais acima da média histórica para o período. (USDA)

A entrada de milho novo tende a aumentar a disponibilidade física no curto prazo e pode limitar altas quando não existe uma surpresa de demanda suficientemente forte. As condições das lavouras permaneceram estáveis, com 57% classificadas entre boas e excelentes pelo USDA, o mesmo percentual da semana anterior.

Para o produtor brasileiro, a queda em Chicago veio acompanhada por um dólar ligeiramente mais fraco. Essa combinação deixa o ambiente menos favorável para altas imediatas, embora o mercado doméstico também dependa da disponibilidade regional, do ritmo das exportações e da demanda de indústrias e produtores de proteína animal.

Farelo e óleo de soja

Os derivados seguiram direções opostas. O farelo de soja para dezembro fechou a US$ 370,70 por tonelada curta, alta de US$ 2,30 na comparação diária. O óleo de soja para o mesmo vencimento caiu para 67,92 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 0,93 centavo.

A valorização do farelo, ao mesmo tempo em que o grão cedeu pouco, ajudou a evitar uma queda mais ampla da soja. O desempenho indica maior sustentação no componente ligado à alimentação animal.

Já o óleo foi um dos pontos mais fracos do complexo da soja. A baixa de aproximadamente 1,35% retirou apoio da oleaginosa e reforçou a diferença entre os dois principais derivados. Para o Brasil, essa separação é relevante porque altera a composição da margem das indústrias de esmagamento: o farelo ganhou valor, enquanto o óleo perdeu.

Trigo

O trigo de inverno negociado em Chicago para dezembro fechou a 717,25 centavos de dólar por bushel, equivalente a US$ 7,1725 por bushel. A queda foi de 9,50 centavos, ou cerca de 1,31%.

Assim como o milho, o cereal devolveu parte da alta da sessão anterior. O mercado internacional continua atento às operações de exportação no Mar Negro, mas esse risco não foi suficiente para impedir a correção desta terça-feira.

No Brasil, o quadro de oferta doméstica permanece mais apertado do que no ciclo anterior. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de 5,74 milhões de toneladas de trigo na safra 2025/26, queda de 27,1%, com importações projetadas em 7,06 milhões de toneladas. A redução decorre de menor área cultivada e de uma produtividade média mais baixa. (Conab)

Esse cenário limita a transmissão direta da queda de Chicago para o mercado brasileiro. A disponibilidade nacional, o câmbio e os preços de importação da Argentina continuam tendo peso importante na formação das referências internas.

Câmbio e macro

O dólar fechou a R$ 5,1027, recuo de aproximadamente 0,08% em relação aos R$ 5,1069 da sessão anterior. A oscilação foi pequena, mas ocorreu na mesma direção da queda da maior parte das commodities agrícolas.

Para soja, milho e trigo no Brasil, um real mais valorizado reduz o valor em moeda nacional das cotações internacionais. Como a soja caiu pouco em Chicago, o impacto cambial foi moderado. No milho e no trigo, porém, a combinação de queda externa e dólar mais baixo formou um sinal diário mais negativo.

Leitura Brasil

A sessão deixou um ambiente menos favorável para os preços brasileiros do que o observado na segunda-feira. A soja ainda encontrou sustentação na expectativa sobre a China, mas não avançou. O milho sofreu com a colheita dos Estados Unidos, e o trigo acompanhou a correção internacional.

No pano de fundo, a Conab projeta uma safra brasileira de soja de 181,64 milhões de toneladas em 2026/27, indicando crescimento moderado da produção e um balanço de oferta e demanda mais ajustado. (Conab)

Para o curto prazo, a atenção deve permanecer dividida entre o comércio Estados Unidos-China, o ritmo de colheita norte-americano e as condições para o início da nova safra brasileira. O comportamento do dólar será especialmente importante para definir quanto das oscilações de Chicago chegará aos preços pagos no país.

O que observar na próxima sessão

  • Novas declarações antes da reunião entre os presidentes dos Estados Unidos e da China.
  • Confirmações de compras chinesas de soja norte-americana.
  • Ritmo da colheita de soja e milho no Meio-Oeste dos Estados Unidos.
  • Possível continuidade da pressão sobre o óleo de soja.
  • Comportamento do dólar em relação ao real.
  • Condições de chuva para o início do plantio da safra brasileira de verão.
  • Evolução do trigo brasileiro e da oferta argentina.

Fontes

  • CME Group
  • USDA, o departamento de agricultura dos Estados Unidos
  • Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento
  • Reuters
  • Mercado de câmbio

Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.