Soja lidera queda dos grãos, e dólar limita pressão no Brasil
Soja, milho, farelo, óleo e trigo encerraram a sessão em queda em Chicago, em uma correção ampla antes do fim de semana. No Brasil, a leve alta do dólar reduziu apenas parcialmente o efeito negativo das cotações externas.
Realização de lucros após as recentes máximas, com avanço da colheita nos Estados Unidos e cautela antes das negociações comerciais entre Estados Unidos e China
Soja lidera queda dos grãos, e dólar limita pressão no Brasil
Resumo executivo
Os mercados agrícolas encerraram a sexta-feira com perdas generalizadas em Chicago. Soja, milho, farelo, óleo de soja e trigo recuaram na comparação com a sessão anterior, em um movimento de realização de lucros depois das máximas alcançadas nas últimas semanas.
A mudança mais relevante do dia foi justamente a passagem de um ambiente sustentado pelas preocupações com oferta e geopolítica para uma postura mais defensiva antes do fim de semana. O avanço da colheita de soja e milho no Meio-Oeste dos Estados Unidos e a perspectiva de menos chuva em algumas áreas ajudaram a reduzir o prêmio de risco climático. Ao mesmo tempo, investidores aguardam as negociações comerciais entre Estados Unidos e China previstas para os próximos dias. (MarketScreener)
No Brasil, o dólar terminou a R$ 5,1452, alta de 0,11% sobre a sessão anterior. A valorização foi pequena e compensou apenas parcialmente a queda das cotações internacionais.
Soja
A soja para novembro de 2026 fechou a US$ 13,0350 por bushel na bolsa de Chicago, recuo de 1,23% em relação aos US$ 13,1975 da quinta-feira. A queda de 16,25 centavos por bushel devolveu parte da valorização acumulada recentemente e colocou o contrato novamente próximo de US$ 13.
O movimento ocorreu apesar de uma notícia positiva para a demanda. O USDA, o departamento de agricultura dos Estados Unidos, informou uma venda de 111 mil toneladas de soja norte-americana para a China, com entrega na temporada comercial 2026/27. (USDA)
A reação negativa mostra que a confirmação da compra chinesa não foi suficiente para sustentar o mercado diante da realização de lucros. A atenção agora se concentra nas conversas comerciais entre Washington e Pequim. O mercado tentará avaliar se os encontros poderão abrir espaço para novas compras chinesas ou se a venda anunciada nesta sexta-feira permanecerá como um negócio isolado.
Outro fator que mudou em relação à leitura anterior foi a redução da preocupação imediata com atrasos na colheita norte-americana. As previsões indicam diminuição das chuvas em partes do Meio-Oeste, condição que tende a facilitar os trabalhos de campo. (MarketScreener)
Para o mercado brasileiro, a combinação foi negativa. A queda em Chicago superou com folga a leve valorização do dólar, reduzindo a referência externa convertida para reais.
Milho
O milho para dezembro de 2026 fechou a US$ 5,2750 por bushel, baixa de 1,08% frente aos US$ 5,3325 da sessão anterior. O contrato perdeu 5,75 centavos por bushel e encerrou a semana sob pressão.
Assim como na soja, o avanço da colheita nos Estados Unidos ajudou a diminuir a preocupação com a disponibilidade imediata. O mercado também passou por realização de lucros depois das máximas de vários anos registradas em setembro. (MarketScreener)
As vendas externas norte-americanas continuam oferecendo algum suporte, mas não impediram a queda. O fechamento indica que, nesta sessão, o aumento da oferta com a entrada da safra e a redução de posições antes do fim de semana tiveram peso maior do que os sinais positivos da demanda.
No Brasil, a baixa em Chicago enfraquece a referência externa, enquanto o dólar ligeiramente mais alto atua na direção contrária. Como a variação cambial foi limitada, o resultado líquido permaneceu desfavorável para a formação de preços em reais.
Farelo e óleo de soja
O farelo de soja para dezembro fechou a US$ 358,60 por tonelada curta, queda de 3,42% na comparação com os US$ 371,30 da quinta-feira. Foi o movimento mais forte entre os produtos acompanhados nesta sessão.
A intensidade da baixa mostra que a correção não ficou restrita ao grão. O farelo perdeu US$ 12,70 por tonelada curta, ampliando a pressão sobre todo o complexo da soja. Para compradores de proteína destinada à alimentação animal, a queda reduz a referência internacional, embora o efeito final no Brasil também dependa do câmbio e das condições comerciais domésticas.
O óleo de soja para dezembro terminou a 68,22 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 1,34% ante 69,15 centavos. A queda acompanhou a correção da soja e o enfraquecimento do petróleo durante a sessão, fator que costuma reduzir a sustentação dos óleos vegetais ligados ao mercado de biocombustíveis. (MarketScreener)
A baixa simultânea do farelo e do óleo reforçou o tom negativo do dia. Não houve compensação entre os dois principais derivados: ambos contribuíram para a perda de valor do complexo.
Trigo
O trigo de inverno negociado em Chicago para dezembro de 2026 fechou a US$ 7,1425 por bushel, queda de 1,75% sobre os US$ 7,2700 da sessão anterior.
O contrato perdeu 12,75 centavos por bushel e acumulou a terceira semana consecutiva de baixa. O mercado foi pressionado por vendas após as altas recentes e por expectativas de possível redução das tensões na região exportadora do Mar Negro. (MarketScreener)
Para o Brasil, a queda internacional reduz parte da pressão sobre a paridade de importação. O dólar mais firme atua no sentido oposto, encarecendo a conversão para reais, mas sua alta nesta sexta-feira foi bem menor que a perda do trigo em Chicago.
Câmbio e macro
O dólar encerrou a R$ 5,1452, avanço de 0,11% em relação aos R$ 5,1393 da sessão anterior. A oscilação foi moderada e não alterou a direção principal do mercado agrícola brasileiro.
Em dias de queda em Chicago, uma valorização mais forte da moeda norte-americana pode preservar parte das referências em reais. Nesta sexta-feira, porém, a alta cambial foi insuficiente para neutralizar as perdas de soja, milho, farelo, óleo e trigo.
Leitura Brasil
A leitura para o mercado brasileiro é de pressão moderadamente negativa. A correção externa atingiu todas as commodities acompanhadas, enquanto o câmbio ofereceu proteção limitada.
Na soja, a queda de 1,23% em Chicago foi o principal componente baixista. No milho, a perda de 1,08% também superou amplamente a valorização do dólar. O farelo sofreu a maior correção percentual, enquanto o óleo de soja e o trigo acompanharam o movimento geral de redução de risco.
O fechamento também recomenda cautela com a interpretação de apenas uma sessão. Os preços internacionais ainda refletem preocupações acumuladas ao longo de setembro, incluindo conflitos em regiões exportadoras e incertezas sobre o tamanho efetivo da safra norte-americana. A sessão desta sexta-feira representou uma correção ampla, mas não eliminou esses fatores.
O que observar na próxima sessão
- Os resultados das reuniões preparatórias entre autoridades dos Estados Unidos e da China e eventuais sinais sobre compras agrícolas chinesas.
- O ritmo da colheita de soja e milho no Meio-Oeste norte-americano.
- As previsões de chuva para as principais regiões produtoras dos Estados Unidos.
- Novos anúncios de vendas de soja norte-americana para a China.
- O comportamento do petróleo e seus reflexos sobre o óleo de soja.
- A reação do dólar no Brasil após a alta moderada desta sexta-feira.
- A capacidade dos contratos de soja e milho de permanecerem acima das referências de US$ 13 e US$ 5 por bushel, respectivamente.
Fontes
- CME Group: preços de fechamento e calendário de negociação.
- USDA: vendas de exportação dos Estados Unidos.
- Reuters: contexto das negociações comerciais, colheita norte-americana, petróleo e Mar Negro.
- Mercado de câmbio: cotação do dólar frente ao real.
Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.
