Farelo avança e grãos recuam com dólar mais baixo no Brasil
O farelo de soja destoou do restante do mercado e avançou 1,56% em Chicago, apoiado pelo aperto temporário da oferta nos Estados Unidos. Soja, milho, óleo e trigo recuaram, enquanto a queda do dólar reduziu a sustentação cambial para os preços brasileiros.
Alta do farelo de soja diante do aperto temporário da oferta física nos Estados Unidos
Farelo avança e grãos recuam com dólar mais baixo no Brasil
Resumo executivo
O principal movimento desta quinta-feira foi a valorização do farelo de soja, que fechou a US$ 371,30 por tonelada curta em Chicago, alta de 1,56% sobre a sessão anterior. O avanço contrastou com as quedas da soja, do óleo de soja, do milho e do trigo.
A força do farelo esteve ligada ao aperto temporário da oferta nos Estados Unidos. Paradas sazonais de unidades de processamento reduziram a produção justamente quando chuvas dificultaram o avanço inicial da colheita em áreas do Meio-Oeste. A soja, porém, terminou praticamente estável, mostrando que o suporte vindo do farelo foi compensado pela realização de lucros e pela fraqueza do petróleo.
No Brasil, o dólar recuou para R$ 5,1393, queda de 0,25%. Como a moeda norte-americana converte os preços internacionais em reais, esse movimento reduziu a sustentação cambial para as cotações domésticas.
Soja
A soja para novembro de 2026 fechou a US$ 13,1975 por bushel na bolsa de Chicago, baixa de 0,06% em relação aos US$ 13,2050 da sessão anterior. Na prática, foi uma sessão de estabilidade, mas com mudança importante na composição do mercado: o farelo ganhou força, enquanto o óleo caiu.
A demanda chinesa por soja norte-americana continua sendo um ponto de apoio. Compras recentes mantiveram o mercado atento à evolução das relações comerciais entre Estados Unidos e China e aos próximos encontros entre representantes dos dois países. Esse fator ajuda a limitar quedas mais amplas, mas ainda precisa ser acompanhado por novas confirmações de negócios para sustentar outra rodada de alta.
O clima também ganhou relevância. Chuvas em partes do Meio-Oeste atrasaram o início da colheita e reduziram temporariamente a chegada de soja às unidades de processamento. O efeito foi mais evidente no farelo do que no grão, porque compradores do derivado encontraram menor disponibilidade imediata.
Para o produtor brasileiro, o fechamento quase estável em Chicago não trouxe impulso suficiente para compensar o recuo do dólar. A combinação sugere menor apoio externo para os preços em reais, embora a demanda chinesa permaneça como fator de proteção.
Milho
O milho para dezembro de 2026 fechou a US$ 5,3325 por bushel, recuo de 0,19% ante os US$ 5,3425 do pregão anterior.
A queda foi moderada, mas manteve o cereal abaixo das máximas alcançadas no início do mês. O mercado continua dividido entre o atraso pontual da colheita em regiões atingidas por chuva e a expectativa de entrada de uma grande safra norte-americana nas próximas semanas.
O petróleo mais fraco também pesou. A relação ocorre porque uma parcela relevante do milho dos Estados Unidos é destinada à produção de etanol. Quando o petróleo recua, o mercado tende a ficar mais cauteloso em relação à competitividade dos combustíveis renováveis.
No Brasil, o milho enfrenta ainda o pano de fundo de uma oferta elevada. A Conab estima que a produção nacional de 2025/26 tenha alcançado o recorde de 144 milhões de toneladas, com produtividade do milho segunda safra acima do previsto anteriormente. Essa disponibilidade amplia a importância das exportações e da demanda interna de ração e etanol para a formação dos preços.
Farelo e óleo de soja
O farelo foi o destaque positivo do dia. O contrato para dezembro fechou a US$ 371,30 por tonelada curta, ante US$ 365,60 na sessão anterior, avanço de 1,56%.
Segundo informações do mercado norte-americano reunidas pela Reuters, unidades de processamento no Meio-Oeste passam por paradas sazonais de manutenção antes da entrada mais intensa da nova safra. Neste ano, a redução temporária da atividade coincidiu com chuvas que atrasaram a colheita, apertando a oferta física de farelo e levando compradores a buscar cobertura.
O óleo de soja seguiu na direção oposta. O contrato para dezembro fechou a 69,15 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,75% frente aos 69,67 centavos da sessão anterior. A fraqueza do petróleo limitou o interesse pelo derivado, que mantém relação próxima com o mercado de biodiesel e outros combustíveis renováveis.
Essa diferença entre farelo e óleo mostra que o movimento da soja não foi uniforme. O mercado valorizou o produto destinado à alimentação animal, enquanto reduziu o valor do componente ligado aos óleos vegetais e à energia.
Trigo
O trigo para dezembro de 2026 fechou a US$ 7,27 por bushel, baixa de 0,51% na comparação com os US$ 7,3075 da sessão anterior.
As expectativas de possíveis iniciativas para reduzir ataques contra a navegação comercial no Mar Negro voltaram a exercer pressão. Qualquer sinal de menor risco logístico na região tende a reduzir o prêmio incorporado às cotações, já que Rússia e Ucrânia têm participação relevante no comércio mundial de grãos.
Ao mesmo tempo, a perspectiva de uma safra canadense menor e as vendas externas norte-americanas limitaram o recuo. O USDA, o departamento de agricultura dos Estados Unidos, informou vendas semanais de 325,9 mil toneladas de trigo, aumento de 68% sobre a semana anterior.
No Brasil, o quadro é diferente do observado em soja e milho. A Conab estima produção de trigo de 5,7 milhões de toneladas em 2025/26, redução de 27,1% em relação à temporada anterior, principalmente pela menor área plantada. Isso aumenta a sensibilidade do mercado brasileiro ao câmbio, à oferta argentina e ao custo de importação.
Câmbio e macro
O dólar de referência fechou a R$ 5,1393, ante R$ 5,1523 no dia anterior, queda de 0,25%. O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de moedas fortes, operava próximo de 100,23 pontos.
A moeda norte-americana perdeu parte da força observada após a decisão de juros do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. A acomodação dos rendimentos dos títulos públicos norte-americanos ajudou a conter o dólar ao longo do dia.
Para as commodities brasileiras, a queda do câmbio tem efeito direto: o mesmo preço em dólar passa a valer menos quando convertido em reais. Esse impacto foi especialmente relevante nesta sessão, porque soja, milho e trigo também terminaram em baixa em Chicago.
Leitura Brasil
O balanço do dia foi levemente negativo para a formação de preços no Brasil. A soja ficou praticamente estável em Chicago, mas perdeu apoio do câmbio. Milho e trigo recuaram tanto no mercado internacional quanto na conversão para reais.
No complexo da soja, a alta do farelo pode melhorar a percepção sobre a demanda industrial pelo grão, mas a queda do óleo impediu uma leitura positiva para todos os derivados. O comportamento das margens de processamento e a velocidade de normalização das unidades norte-americanas serão importantes para saber se a valorização do farelo terá continuidade.
Para o trigo brasileiro, a oferta doméstica menor continua sendo um fator de sustentação, enquanto a queda conjunta de Chicago e do dólar reduz o custo teórico das importações. O equilíbrio entre esses dois vetores deve orientar as negociações nas próximas semanas.
O que observar na próxima sessão
- Novas confirmações de compras chinesas de soja dos Estados Unidos.
- Evolução das chuvas e do ritmo de colheita no Meio-Oeste norte-americano.
- Disponibilidade física de farelo após as paradas sazonais das unidades de processamento.
- Comportamento do petróleo e seus efeitos sobre óleo de soja, biodiesel e etanol de milho.
- Notícias sobre segurança da navegação e exportações de grãos no Mar Negro.
- Direção do dólar diante das novas expectativas para os juros dos Estados Unidos.
Fontes
Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.
