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Milho avança e óleo de soja recua com foco na nova safra brasileira

O milho registrou o maior avanço entre os contratos acompanhados, enquanto soja, farelo e trigo tiveram altas moderadas. O óleo de soja caiu quase 1%, e o dólar permaneceu praticamente estável diante do real.

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Avanço do milho e queda do óleo de soja em uma sessão de movimentos moderados nos grãos

Milho avança e óleo de soja recua com foco na nova safra brasileira

Resumo executivo

Os mercados agrícolas encerraram a quarta-feira com movimentos diferentes entre os produtos. O milho apresentou o avanço mais expressivo, de 1,04% na comparação com a leitura anterior, enquanto soja, farelo e trigo registraram altas moderadas. O óleo de soja destoou e caiu 0,97%.

A soja para novembro de 2026 fechou a US$ 13,2050 por bushel, unidade internacional equivalente a aproximadamente 27,2 quilos no caso da oleaginosa. O milho para dezembro terminou a US$ 5,3425 por bushel, e o trigo do mesmo vencimento fechou a US$ 7,3075.

No Brasil, o dólar terminou praticamente estável, a R$ 5,1523. Com isso, o câmbio ofereceu pouca alteração à formação dos preços domésticos. O foco local permaneceu nas novas projeções da Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, e na operação de compra de milho anunciada para formação de estoques públicos.

Soja

A soja para novembro avançou 0,13%, um movimento pequeno diante das oscilações recentes. O fechamento acima de US$ 13,20 mantém a oleaginosa em um patamar relevante, mas a perda de força ao longo do dia mostrou que o mercado ainda procura um motivo mais consistente para ampliar a valorização.

Nos Estados Unidos, o acompanhamento do USDA, o departamento de agricultura norte-americano, mostra que a safra está entrando na fase de colheita. Até 13 de setembro, 44% das lavouras já derrubavam folhas, acima da média de 37% dos cinco anos anteriores. A colheita alcançava 6% da área, ante média histórica de 3% para o período.

A condição das lavouras permaneceu estável: 58% estavam classificadas como boas ou excelentes, o mesmo percentual da semana anterior. O número, porém, ficou abaixo dos 63% registrados no mesmo período de 2025. Esse quadro combina avanço rápido da maturação com uma avaliação de produtividade menos confortável do que há um ano.

Para o mercado brasileiro, Chicago trouxe apenas uma contribuição discreta. Como o dólar também pouco mudou, as oportunidades domésticas continuaram mais dependentes da necessidade de compra em cada região, dos custos logísticos e do ritmo de venda dos produtores.

Milho

O milho foi o destaque positivo do fechamento. O contrato para dezembro de 2026 terminou a US$ 5,3425 por bushel, alta de 1,04% em relação à leitura anterior.

A colheita norte-americana alcançava 8% da área até 13 de setembro, acima da média de 6% para o período. Ao mesmo tempo, 57% das lavouras eram avaliadas como boas ou excelentes, ante 56% na semana anterior e 67% há um ano. O mercado, portanto, começa a trocar estimativas de safra por resultados efetivos obtidos no campo.

No Brasil, a Conab anunciou operações para a compra de até 224 mil toneladas de milho, destinadas à formação de estoques e a programas de abastecimento. Os leilões estão programados para 18 e 21 de setembro. A medida não explica, por si só, o movimento de Chicago, mas representa uma mudança relevante para o mercado doméstico, especialmente nas regiões incluídas nas operações.

A Conab também projetou produção brasileira de aproximadamente 148 milhões de toneladas de milho em 2026/27, crescimento de 2,8% sobre a temporada anterior. A área do primeiro ciclo deve aumentar 10,7%, enquanto a área da segunda safra pode crescer 3,7%. A expectativa de oferta maior convive com demanda aquecida para rações, etanol de cereais e exportação.

Farelo e óleo de soja

Os derivados seguiram direções opostas. O farelo de soja para dezembro fechou a US$ 365,60 por tonelada curta, medida utilizada nos Estados Unidos, com leve alta de 0,05%. O movimento indica estabilidade na parcela do complexo ligada principalmente à alimentação animal.

O óleo de soja para dezembro caiu 0,97%, para 69,67 centavos de dólar por libra-peso. A baixa coincidiu com uma sessão negativa do petróleo, relação importante porque o óleo vegetal também participa da produção de biocombustíveis.

Essa divergência ajuda a explicar por que o grão teve dificuldade para avançar com mais força. O farelo ofereceu sustentação, mas a queda do óleo retirou parte do apoio. Para a indústria de processamento, a distribuição de valor entre os dois derivados continuará sendo um ponto central nas próximas sessões.

Trigo

O trigo de inverno negociado em Chicago para dezembro encerrou a US$ 7,3075 por bushel, avanço de 0,31%. A alta foi moderada, sem indicar mudança ampla de direção.

No Brasil, o quadro de oferta segue mais apertado. A Conab estima produção de 5,74 milhões de toneladas na safra 2025/26, queda de 27,1% em relação ao ciclo anterior. A área plantada recuou 21,2%, e a produtividade média foi calculada em 2.978 quilos por hectare.

Com a menor disponibilidade nacional, as importações são estimadas em 7,06 milhões de toneladas. Isso aumenta a importância do câmbio, dos preços na Argentina e dos custos de transporte para a formação das cotações brasileiras. A leve alta em Chicago oferece algum apoio, mas a estabilidade do dólar limitou mudanças mais fortes na referência de importação.

Câmbio e macro

O dólar fechou a R$ 5,1523, recuo de aproximadamente 0,03% em relação ao dia anterior. Na prática, foi uma sessão de estabilidade para a moeda norte-americana diante do real.

Para soja, milho e trigo, isso significa que a movimentação externa foi transmitida ao mercado brasileiro sem um reforço relevante do câmbio. No complexo soja, a queda do petróleo teve influência mais visível sobre o óleo, enquanto o grão terminou perto da estabilidade.

Leitura Brasil

A principal mudança no ambiente brasileiro veio das projeções oficiais de oferta. Para 2025/26, a Conab estima safra recorde de soja de 180,4 milhões de toneladas, alta de 5,2%, e exportações de 116,2 milhões de toneladas.

Para 2026/27, a produção de soja pode alcançar 181,64 milhões de toneladas. A área é estimada em 49,3 milhões de hectares, crescimento de 1,4%, o menor avanço percentual dos últimos 20 anos. A expansão mais lenta sugere que produtividade, clima e demanda terão peso ainda maior na definição do balanço brasileiro.

No milho, a projeção de crescimento da área e da produção contrasta com a decisão de recompor estoques públicos. Para o produtor, essa combinação exige atenção: há perspectiva de oferta maior na próxima temporada, mas também sinais de demanda interna firme e ações pontuais de abastecimento.

O que observar na próxima sessão

  • O ritmo da demanda internacional por soja, especialmente as compras chinesas.
  • A evolução da colheita de soja e milho nos Estados Unidos e os primeiros resultados de produtividade.
  • O comportamento do petróleo e seus efeitos sobre o óleo de soja.
  • As condições de plantio da safra brasileira 2026/27 e os riscos associados ao El Niño.
  • Os preços e a participação de vendedores nos leilões de compra de milho da Conab.
  • A direção do dólar, que permaneceu praticamente estável nesta sessão.

Fontes

  • CME Group: calendário de negociação e referências dos contratos agrícolas.
  • USDA: condições e andamento das lavouras dos Estados Unidos.
  • Conab: estimativas da safra brasileira 2025/26.
  • Conab: perspectivas para a temporada 2026/27.
  • Conab: operações de compra de milho.
  • Notícias Agrícolas: contexto do mercado brasileiro e do complexo soja.

Conteúdo informativo produzido pela Premium Commodities. Esta análise não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos ou commodities.